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Contrário o meu amor será como sou hoje,
Com a mão injuriosa, esmagada e gasta pelo Tempo;
Quando as horas tiverem secado o sangue e coberto o cenho
Com linhas e rugas; quando a sua fresca manhã
Ascender à alta noite senil,
E todas as belezas das quais hoje ele é rei
Minguarem, ou sumirem de vista,
Roubando o tesouro de sua primavera;
Por esse tempo agora eu me oponho
Contra a faca cruel da confusa idade,
Que ele jamais ceifará da lembrança
A suavidade do meu amor, embora lhe tire a vida.
Nestas negras linhas ficará a sua beleza,
E que viverão, mantendo o meu amado vivo.

Against my love shall be, as I am now,
With Time’s injurious hand crush’d and o’er-worn;
When hours have drain’d his blood and fill’d his brow
With lines and wrinkles; when his youthful morn
Hath travell’d on to age’s steepy night,
And all those beauties whereof now he’s king
Are vanishing or vanish’d out of sight,
Stealing away the treasure of his spring;
For such a time do I now fortify
Against confounding age’s cruel knife,
That he shall never cut from memory
My sweet love’s beauty, though my lover’s life:
His beauty shall in these black lines be seen,
And they shall live, and he in them still green.