Introdução À Primeira Parte de Rei Henrique IV

            A abertura de Henrique IV é tensa e grave em tom. A Inglaterra está “abalada” e “pálida pelas preocupações.” As dificuldades de Ricardo II, as quais a presente peça (cerca de 1596-1597) é uma rigorosa sequência, não foram deixadas para trás. Não importando o quanto o Rei Henrique optasse por unir seus compatriotas contra um inimigo exterior comum, numa cruzada à Terra Santa, ele é impedido de assim o fazer pela contínua guerra civil. A fervorosa retórica de seu discurso de abertura só pode terminar num anticlímax, pois o verdadeiro propósito desse encontro do conselho é o de receber e avaliar os relatórios das ações militares contra o trono.

            As preocupações atuais de Henrique estão nos extremos de seu reinado: os Escoceses no norte, os Galeses no oeste. Lutando por Henrique nesses dois fronts estão os nobres da família dos Percy que o ajudaram a alcançar o poder: Harry Percy (“Hotspur”), seu pai (Henry Percy) o Conde de Northumberland, seu tio Conde de Worcester, e seu meio-irmão Edmund Mortimer, o Conde de March. Aparentemente eles lutaram com bravura. Entretanto, nós logo sentimos que as coisas não estão bem entre o novo Rei e aqueles que se rebelaram com ele contra Ricardo II. Uma discussão emergiu porque Hotspur recusou-se à entregar a Henrique alguns prisioneiros, como era exigido pela obediência feudal. A questão do dinheiro do resgate é apenas um detalhe ínfimo; o que está realmente em questão? Em parte, a insistência de Henrique em ser obedecido por princípio. Admirando a imoderação de Hotspur, o Rei sente que ele deve disciplinar afetuosamente esse justo jovem guerreiro, como um pai disciplinaria um filho. Ainda mais profundamente, entretanto, a questão dos prisioneiros irrita Henrique por causa da ressalva que ele resgate Mortimer, capturado pelos Galeses. Henrique não esquece que Mortimer é seu principal rival pela coroa Inglesa, por ser descendente do Duque de Clarence (irmão mais velho do pai de Henrique, Gaunt) e que foi proclamado por Ricardo como herdeiro ao trono. (Shakespeare acentua a ameaça dinástica ao combinar dois Edmund Mortimers de suas fontes históricas: um que se casou com a filha de Glendower e outro que reivindicou o trono Inglês; veja 1.3.80-5 e a nota.) Mortimer é a última pessoa que Henrique desejaria resgatar. Ademais, o Rei suspeita que Mortimer lutou com algo a menos do que o zelo total contra o Galês Glendower. O casamento de Mortimer com a filha de Glendower confirma os piores medos do Rei. Henrique sabe que Northumberland e Worcester são especialistas em tramas traiçoeiros, pois eles conspiraram com ele para destituir Ricardo. Agora, Henrique acredita, os Percys estão estendendo suas alianças por uma série de casamentos calculados para tomarem, mais uma vez, o poder. Essa vez o requerente deles é Mortimer.

            As simpatias de Shakespeare são multilaterais. A clã Percy está, de fato, organizada contra Henrique, mas não sem causa. Como eles veem, o homem que eles ajudaram chegar ao trono fez muito pouco para eles desde então. A maneira dele os disciplinar soa muito como hostilidade e ingratidão. Outros conselheiros assistem ao Rei constantemente, enquanto Worcester está banido da corte. Em tal atmosfera de desconfiança, as suspeitas geram ainda mais suspeitas. A situação deteriorou-se, seguramente mais do que qualquer parte pretendia no princípio.

            Hotspur é o mais atraente dos rebeldes – para nós e também para o Rei Henrique. Ele é sincero, corajoso, argucioso e dominante na conversa. Sobretudo, ele é um discípulo da masculinidade, lealdade, cavalaria, bravura em batalha – os atributos de uma decente e um tanto quanto antiquada compreensão da honra. Entretanto, um defeito fatal habita, mesmo nessas qualidades atrativas. Hotspur é impaciente, orgulhoso, indisposto a tolerar um rival – seja ele Glendower ou o Príncipe Hal (Henrique, Príncipe de Gales). Em seu primeiro discurso, pretendendo explicar sua recusa em entregar os prisioneiros, ele brilhantemente satiriza um cortesão efeminado que veio a ele a serviço do Rei Henrique no meio da batalha. A sátira trai muitas das qualidades grosseiras em Hotspur: a cólera autocomplacente que retorna inteiramente para ele mesmo na recordação do encontro, o orgulho em sua própria indiferença estoica ao sofrimento e, especialmente, a natureza obsessiva (revelada no padrão repetitivo da retórica) de seu desprezo pelos cortesãos em geral. Certamente seu desprezo pelos políticos locais é direcionado, em parte, ao próprio Rei Henrique. Para Hotspur todos os cortesãos usam perfume e são afetados por maneirismos e discursos e são raramente masculinos. Essa preocupação de Hotspur torna-o extraordinariamente inclinado a julgamentos parciais. Como a maioria dos devotos excessivos da cavalaria, ele divide a humanidade em duas categorias: aqueles que são cavalheiros, como ele próprio, e aqueles que são desprezíveis. O “vil político” Bolingbroke e seu filho, a “espada e o escudo Príncipe de Gales” (1.3.240, 229) enquadram-se na última categoria.

            Inclinado como ele está para uma visão excessivamente simples do comportamento político, Hotspur não vê benefícios na causa do Rei e não vê malefícios em sua própria causa. Ele é um mal ouvinte por causa de sua obsessão e, ainda assim, uma presa fácil para seu tio e pai, que precisam da sua liderança para a causa deles. Eles necessitam somente implantar a sugestão que o Rei Henrique está agindo a partir de um motivo político, em sua recusa de resgatar Mortimer, e Hotspur está pronto para saltar desacautelado em defesa dessa causa. A grande ironia é que Hotspur falha em ver os motivos políticos nas maquinações de seus próprios parentes. Enquanto ele luta por uma honra brilhante, eles manobram com cuidado a posição e provam ser aliados incertos quando a hora da batalha chegar. Mais crucial, eles traem Hotspur nas negociações pré-batalha, as quais ele não está presente. Como Worcester explica a Vernon durante o retorno deles à sede rebelde (5.2.3.-25), eles não podem deixar Hotspur saber da oferta do Rei em resolver à contenda com um perdão geral. Apesar de, como eles compreendem, o Rei poder perdoar à juventude de Hotspur, não há volta para eles. Assim, a honra pela qual Hotspur luta é, no limite, uma mentira, e a estima mútua que poderia crescer entre ele e um reformado Príncipe de Gales é prejudicada pela polarização das atitudes nos dois campos. A marca de honra de Hotspur é a vítima de seus próprios excessos e empresta algum crédito à conclusão amarga de Falstaff que a honra “é um mero escudo” (5.1.139-40).

            O contraste de Falstaff e Hotspur sobre o tema da honra sugere que um é o contraste dramático do outro, representando os extremos entre os quais Hal deve escolher. Shakespeare usa esse dispositivo de contraste estrutural e conscientemente; por exemplo, ele reduziu muito a idade do Hotspur que ele encontrou nas Crônicas (1578) de Raphael Holinshed, para enfatizar a similaridade entre Hotspur e o Príncipe Hal. Por outro lado, para enfatizar o contraste entre Falstaff e Hotspur, Shakespeare imagina Falstaff como velho (perto dos sessenta, de acordo com sua própria admissão), gordo, cômico e sem honra. Os vícios de Falstaff são as virtudes de Hotspur, e vice-versa. Enquanto que Hotspur oferece a Hal um modelo do empenho cavalheiresco e atenção ao dever, Falstaff é um salteador e um mentiroso. Por outro lado, Hotspur é um fanático, inflexível e auto-absorto, mesmo quando na companhia de sua vivaz esposa, Kate, e irritadiço com a música e a poesia; Falstaff é a personificação da celebração e da alegria de viver. Nós o perdoamos muito porque ele deseja a vida com tal apetite e congraça a si mesmo e aos outros ao convidá-los a rir às suas custas.

            Apesar da quase irresistível atratividade de Falstaff como um divertido companheiro e objeto de divertidas piadas, ele e o Príncipe Hal estão perenemente envolvidos num argucioso debate como a importância de Falstaff na vida de Hal e se o jovem homem terá que livrar-se de Falstaff no momento em que Hal for rei. Os informais gracejos na primeira cena deles (1.2) parecem designados para prover um divertido entretenimento para o Príncipe e para nós, e ainda, por debaixo dos jogos de palavras e disputa para ver quem é o melhor, percebemos que Hal e Falstaff estão falando sobre o enforcamento de ladrões e a questão se Hal deve ceder ou não a uma tentação pecaminosa. O relacionamento de Hal e Falstaff pode continuar inalterado no reinado de Henrique V? Haverá enforcamentos e justiça para ladrões de estradas? O “Monsieur Remorso,” como Poins chama Falstaff, irá arrepender-se sinceramente alguma vez? E o Príncipe, sobre esse ponto? Para aliviar nossos medos, Hal soliloquia no final da cena, jurando sua determinação em usar esses companheiros velhacos como meros contrastes para sua reforma triunfal no momento adequado. Mas sua explicação levanta um perigo oposto em nossas simpatias: ele está impiedosamente usando seus companheiros meramente para criar um mito egocentrista do Príncipe Hal, o Político com um Toque Comum? Francis, o desenhista, não é nada mais do que um alvo de ridicularizações para Hal? Desde que a rejeição de Falstaff já está, pelas próprias palavras de Hal, determinada, podemos creditá-lo como um amigo sério? Onde as simpatias de Shakespeare encontram-se – com a necessidade de ordem política ou com o espírito hedonista da juventude? Uma interpretação possível é que ele reconhece a validade de ambas, e adequadamente mostra-nos um príncipe que se afeiçoa genuinamente à companhia exuberante de Falstaff, mas que também sabe que ele é filho de um rei e deve, cedo ou tarde, aceitar as consequências desse papel indesejado. O presente de Falstaff a ele é a irresponsabilidade juvenil, que deve ser estimada (por todos nós), mesmo se ela não puder durar.

            Essa interpretação compassiva é, de fato, apenas uma de muitas possibilidades. A história recente do teatro demonstrou quão maleável é a peça, permitindo aos diretores e atores escolherem entre um conjunto de possibilidades. Em um extremo, Hal pode ser interpretado como um jovem homem direto e até cínico, que sabe desde o início exatamente para onde está indo e qual o uso que ele pode fazer de Falstaff e companhia – como interpretado, por exemplo, por Richard Burton em Stratford-upon-Avon em 1951 (dirigido por Anthony Quayle e John Kidd). No extremo oposto, Hal pode ser visto como um rebelde desafiante cuja aversão por seu frio e antipático pai faz com que ele cresça relutantemente e aceite à responsabilidade adulta; essa foi a linha tomada, por exemplo, por Gerard Murphy na produção de 1982 de Trevor Nunn para a Royal Shakespeare Company. O Hal de Murphy foi uma criança incontrolável para quem Falstaff foi um pai substituto provedor. Entre essas polaridades, Hal pode ser variadamente visto como alcoólatra ou um recatado esnobe ou playboy ou simplesmente um jovem que quer curtir a vida. Diretamente proporcional, o papel de Falstaff amplamente oferece variadas possibilidades como um tipo de amigo velhaco divertido, um vigarista calculista e brincalhão, que sabe como barganhar por simpatia através de um humor auto-eclipsante, ou um hedonista perigosamente irresponsável. O Rei Henrique como pai pode ser visto como extremamente testado, sobrecarregado com pesadas responsabilidades e um filho ingrato, um monarca afligido pela culpa que teme com remorso que a determinação de Hal é um castigo do céu aos pecados do Rei, ou um duro político engajado num conflito de vida ou morte por poder com aristocratas tão maquiavélicos como ele. Uma importante razão para o sucesso da peça é sua abertura à interpretação.

            No assalto da colina de Gad, Falstaff revela que sua “covardice” difere do tímido medo natural de Bardolfo e Peto. Ele prioriza à “razão” à luta, isto é, não se arrisca perante chances injustas como dois jovens atléticos no escuro (ou posteriormente, em Shrewsbury, contra o robusto gigante Escocês, Douglas). Um homem pode morrer dessa forma. A covardice de Falstaff, então, é filosófica, vista por ele mesmo de uma perspectiva humorística. O mesmo é verdade em sua mentira em relação ao assalto. Não importando o quanto Hal jubila-se ao expor Falstaff como uma fraude, não podemos dispensar à possibilidade que Falstaff pode ver através do esquema do príncipe, e pode, então, nutrir Hal com a mentira bizarra esperada (dois homens numa roupa rígida tornam-se onze homens) como meio de ganhar afeição. A única forma de Falstaff suplicar por sua causa é deliciar a imaginação do Príncipe, em seu papel de um tipo de bobo da corte. O que mais Falstaff quer é ser amado e tomado pelo o que ele é, e isso, comovente o suficiente, é a única coisa que o maduro Henrique V não poderá conceder.

            Ao longo de 1 Henrique IV, Shakespeare parece interessado nos relacionamentos entre pais e filhos. Esses relacionamentos ajudam a estruturar as comparações e contrastes entre personagens antagônicos. Falstaff é um antagonista, não somente para Hotspur, mas também para Henrique IV; isto é, apesar de toda a sua insistência na irresponsabilidade da juventude, Falstaff age como um tipo de figura paterna para Hal. Na cena da taverna (2.4), Falstaff e Hal interpretam ora o rei ora o príncipe da coroa e, em ambos os papéis Falstaff arguciosamente argumenta pela sua situação como companheiro e guia ao herdeiro do trono. É melhor ser velho e feliz, gordo e amado, ou ser odiado como as magras vacas de Faraó? Falstaff argumenta contra a gravidade dos encontros do conselho com o mesmo fervor divertido que ele depois dirige-se ao riso de horror de um herói morto. Ao tornar-se rei, Hal questiona à conformidade de um “demônio” assombrando o príncipe da coroa “com a aparência de um velho homem gordo,” um “reverendo Vício,” uma “cinza Iniquidade,” um “pai rufião” (2.4.442-9). Por todo o bom humor dessa troca, ambos os homens se perguntam se Falstaff ou o Rei Henrique serve como o melhor modelo para Hal. Este antecipa alguns dos próprios argumentos que seu pai usará contra ele no dia seguinte na corte, e, de fato, a presença insistente daquele mundo adulto sóbrio faz-se sentir mesmo na taverna. Quando, sob pressão da iminente responsabilidade, as festividades de Falstaff tornam-se em algo como uma urgente auto-justificação em sua comovente litania de apelos que Hal “não bana a companhia de teu Harry – bana o roliço Jack, e banirá todo o mundo,” o Príncipe parece ciente que ele deve enfrentar as consequências de seu destino. “Eu faço, eu farei” ele responde (linhas 472-6), num tom que pode variar no palco (dependendo do ator) da sóbria resolução ao afeiçoado lamento do acordar de um sonho.

            Hotspur, também, é considerado como um filho por mais de um pai. O Rei Henrique, em tom de brincadeira, deseja que fosse provado que alguma fada noturna errante tivesse trocado seu Harry no berço por Harry Percy (1.1.85-9). Paradoxalmente, o Rei admira Hotspur sobretudo por confrontá-lo abertamente, assim como outra figura paterna imperiosa, Owen Glendower, concede uma relutante mas real admiração por Hotspur por sua sinceridade (3.1.1-185). Os modos rebeldes de Hotspur são estimados porque parecem prometer masculinidade e fama; os modos rebeldes de Hal são temidos e desprezados pois parecem rejeitar os valores do dever e da liderança nos quais o Rei Henrique baseia seu auto-respeito. Nesses termos, a peça deve resolver a chegada dos anos de Hal, a aceitação de seu papel de verdadeiro filho do Rei, e a provação de seu valor ao Rei. Hal deve encontrar seu ego adulto – um ego que difere grandemente daquele do Rei Henrique – mas deve fazê-lo de uma maneira que preserve à integridade de seu relacionamento e o real débito que ele deve a seu pai.

            A jornada incerta do Príncipe Hal em relação à maturidade não o envolve em nenhum relacionamento significante com mulheres. Sua tarefa é cumprir o que lhe é esperado, como filho de seu pai, num mundo de conflito político e militar. As mulheres permanecem na periferia dos negócios, com em Ricardo II, e ainda, as cenas nas quais elas aparecem oferecem importantes perspectivas sobre a competição e ambição masculinas. A esposa de Hotspur, Kate, deve tolerar ser condescendente e dizer pouco sobre as realizações masculinas; entretanto, a genuína afeição de Hotspur por ela mostra o melhor lado da personalidade dele, e as preocupações dela sobre os modos obsessivos dele indicam que ela o compreende melhor do que ele a si mesmo. A esposa Galês de Mortimer, também, introduz nessa peça um elemento de sutileza e preocupação apreensiva que notavelmente falta na parte anterior a 3.1, quando Hotspur não pode parar de discutir inutilmente com seu aliado mais velho, Glendower. A impassibilidade de Hotspur à bela música da dama Galesa é, talvez, uma chave de sua obstrutiva tragédia, pois ele nunca é um bom ouvinte. Numa escala social menor, a Senhora Quickly devotadamente procura por Falstaff, somente para ser paga com insultos misóginos que ela reconhece muito bem. O Príncipe Hal, entrementes, interpreta o papel de observador inteligente da batalha dos sexos, mesmo enquanto ele adia seu próprio engajamento naquela feliz guerra. Ele deve primeiro distinguir quem ele é em termos de objetivos masculinos de carreira e sucesso.

            Esses conflitos ao redor de Hal alcançam o clímax e a resolução no campo de Shrewsbury, no Ato 5. O valor de Hal deve ser testado às custas de Hotspur. A rivalidade entre os dois foi intensa por toda a peça, como vista, por exemplo, na brilhante imitação de Hal a devoção de Hotspur por matança (2.4.101-8). Consciente que sua manchada reputação o coloca em desvantagem, Hal fala nobremente de seu rival e impressiona até o campo adversário, com seu comportamento régio (5.1.83-100, 5.2.51-68). Ele resgata seu pai na batalha, assim provando ao Rei Henrique que seu filho não deseja suplantá-lo, como ele temia. Depois da batalha, Hal liberta seu adversário Escocês, Douglas, numa exposição de magnificência principesca, fazendo isso com um motivo mais generoso do que Hotspur exibiu em sua anterior libertação de Douglas como seu prisioneiro (1.3.259-62). Enquanto isso, Hal colocou considerável distância entre ele próprio e Falstaff, apesar de ainda sensível ao calor de antigas memórias. Quando ele vê Hotspur e Falstaff no chão juntos, ambos aparentemente mortos, Hal vê como num quadro os modelos contrastantes entre os quais ele moldou sua própria identidade. Porém Falstaff não está morto. Ele levanta para mutilar o corpo de Hotspur e reivindicar a honra esperada de Hal pela morte de Hotspur. Por todos os comentários de Falstaff às custas da honra, seu próprio curso oposto é inadequado a um tempo de guerra ou ao novo papel público de Hal. O abuso de Falstaff em relação ao alistamento militar, seu carregar de uma garrafa de xerez no lugar de uma pistola, mostram-no, ainda, no auge de sua espiritualidade, mas num mundo que não pode tolerar tais brincadeiras. Os felizes jogos são infantis e estão fora do lugar. Com característica generosidade e imprudência, Hal dá o crédito da morte de Hotspur a Falstaff, que a clama tão covardemente. Mesmo assim, a mágica da associação deles desapareceu. O tempo da maturidade chegou para Hal.