Epílogo de 2 Henrique IV, conforme apresentados no Curtain e na Corte, 1599

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A diferenciação entre os dois textos é importante para sanar as dificuldades criadas a partir do Primeiro Fólio, versão que confunde as duas abaixo num único epílogo e que servirá de base para as edições modernas.

Versão apresentada por William Kemp, que interpretara Falstaff, no limiar entre realidade e ficção:

“Se minha língua não pode convencer vocês a me absolver, vocês me mandariam usar as pernas? Só que isso não seria mais do que um pagamento leve, quitar dançando as minhas dívidas. Mas uma boa consciência presta qualquer satisfação possível e assim faria eu. Todas as damas aqui me perdoaram. Se os cavalheiros não o fizerem, então os cavalheiros não concordarão com as gentis damas, o que jamais foi visto numa assembleia como essa.

Mais uma palavra, eu imploro a vocês. Se não estiverem empanturrados demais com as carnes gordas, nosso humilde autor continuará a história, com Sir John nela, e fará vocês se alegrarem com a bela Catarina, da França, onde, pelo que sei, Falstaff deve morrer de uma febre, a não ser que já tenha sido morto pela dura opinião de vocês; porque Oldcastle morreu mártir, e este não é ele. Minha língua está cansada quando minhas pernas também estão, desejo-lhes boa noite.”

Versão apresentada por William Shakespeare ele mesmo, na apresentação de Whitehall para a corte e a rainha Elizabeth:

“Primeiro, meu medo; depois, minha reverência; por último, meu discurso. Meu medo é seu desagrado; minha reverência, meu dever; e meu discurso, para pedir seu perdão. Neste momento, se buscam por um bom discurso, vocês me anulam, porque o que tenho a dizer é de minha própria lavra e o que de fato eu deveria dizer, eu duvido, provará minha própria emenda. Mas vamos ao propósito e, assim, à aventura. Que fique conhecido por vocês, como de fato ficará muito bem, que aqui eu estava no final de uma peça desagradável, para implorar por sua paciência para com ela e prometer-lhe outra melhor. Na verdade, eu quero pagar-lhes com isso, que se resultar num infausto empreendimento que se estraçalha, eu vou à falência, e vocês, meus gentis credores, perdem. Aqui eu lhes prometo o que serei e aqui eu entrego meu corpo à sua misericórdia. Desconte-me algo, e eu lhes pagarei algo e, como faz a maioria dos devedores, prometo-lhes infinitamente. E assim eu me ajoelho diante de todos; mas, na verdade, para rezar à rainha.”