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Inicial Fórum Ensinar Shakespeare Conteúdo para professores William Shakespeare, seu tempo e sua dramaturgia

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    Objetivos
    Analisar, apreciar uma poesia ou peça de teatro e discutir um espetáculo teatral, se posicionando frente ao objeto artístico

    Conteúdos
    Crítica teatral; história do teatro

    Tempo sugerido
    Três aulas.

    Desenvolvimento

    Introdução
    Se é verdade que em 1588 não havia um só teatro em Londres, não se deve concluir que houvesse pouca atividade teatral. As Guilds não estavam ainda inteiramente extintas, e os grupos profissionais ambulantes se multiplicavam em grande escala; as escolas e universidades encenavam peças latinas, traduções de peças italianas e até peças de autores locais. A Corte já vira as máscaras italianas e pantomimas locais e, ocasionalmente, algumas companhias profissionais estrangeiras. Autoridades também promoviam espetáculos alegóricos por ocasião de visita de soberanos estrangeiros.

    A Corte, todavia, era favorável aos atores e autores e alguns nobres consentiam emprestar seus nomes e uma espécie de proteção às companhias de teatro. Os puritanos começavam a atacar o drama – início de uma luta que terminaria em 1642 com o fechamento de teatros e proibição de se representar.

    Foi nesse período de teatro, vigoroso e violento, que William Shakespeare nasceu em 1564, na pacata aldeia de Stratford-on Avon, frequentou a escola local, aprendeu um pouco de latim e deixou os estudos para ajudar seu pai nos negócios. O certo é que ele chegou em Londres por volta de 1588 e que deixou em sua aldeia natal sua esposa Ana Hathaway (oito anos mais velha que ele) com quem se casou aos 18 anos com quem teve um filho. Há indícios de que começou a trabalhar em Londres vigiando cavalos dos espectadores nas portas dos teatros, logo se tornando ator de uma companhia e mais a frente dramaturgo.

    1a Aula
    Inicie a aula introduzindo os alunos ao universo de vida de Shakespeare, seu contexto histórico e cultural. Levante com os alunos as peças que eles possivelmente já leram, assistiram ou conhecem deste autor. Em geral, muitos conhecem a peça “Romeu e Julieta”, pois já viram a versão para o cinema com o ator Leonardo Di Caprio. Pergunte também sobre a poesia dos textos de Shakespeare. Leia uma cena de romeu e Julieta. Eles dirão que a leitura é difícil de compreender e comentarão sobre a dificuldade de ir ao teatro por esta questão, pois os textos em versos são muito difíceis de entender. Talvez até lembrem de nomes de diretores consagrados como Antunes Filho, do Eduardo Tolentino e José Celso Martinez Correa. Bem como invocarão lembranças sobre peças estudadas em sala de aula ou feitas na própria escola. Faça a provocação sobre por que é tão difícil entender uma poesia e como podem melhorar esse entendimento.

    Ao ouvir os apontamentos dos alunos, situe-os historicamente com relação aos Saraus e festas onde os poetas liam seus trabalhos, bebiam muito vinho e cortejavam suas amadas. Conte que os autores reliam as histórias conhecidas pelas pessoas, já escritas em contos e narradas oralmente nas rodas de festas, se apropriavam delas e escreviam suas peças.

    Levante com o aluno a importância de ler em voz alta, para aprender a ouvir novas palavras e aumentar seu vocabulário, bem como escrever redações e cartas mais longas. É claro que se deve lembrar das novas tecnologias e refletir de como esses conhecimentos influenciam toda a arte do século XXI.

    Comente como todas essas questões e movimentos do século XXI influenciam os artistas atuais, como podemos resgatar o valor da poesia em nossa sociedade e pense, junto com a classe, em estratégias culturais dentro da escola para que isto aconteça.

    Abra um parênteses sobre a crítica em questão, ler juntamente com a turma a matéria da VEJA e proponha que na próxima aula este assunto seja resgatado e discutido.

    2a aula
    Nesta aula falaremos sobre a vida e a obra de Shakespeare antes de comentarmos a matéria sobre a suposta obra do mesmo. Comente com os alunos que o autor adquiriu fama como ator antes de se tornar célebre como autor. Supõe-se que ele foi um bom comediante, pois seu nome aparece em várias listas de atores deste gênero teatral e alguém escreveu que ele representava bem. Fora do palco, gozava de simpatia de quase todos, era amável, espirituoso e bem quisto. Tornou-se sócio de uma companhia onde montou seus maiores sucessos como autor.

    Como dramaturgo é extraordinário, mais do que qualquer outro de sua época, escreveu com maestria dramas, comédias, tragédias, peças históricas e uma infinidade se sonetos. Dentre seus personagens mais conhecidos estão Hamlet, Romeu, Julieta, Macbeth e Lady Macbeth, Otelo, Iago, Ofélia, Catarina, Petruchio e as Alegres Comadres de Windsor. Aqui o professor pode estabelecer um paralelo sobre este assunto e os conhecimentos prévios dos alunos sobre o mesmo.

    Mas não só Shakespeare figurava entre os dramaturgos da época, mas é fato que os que vieram depois dele sofrem historicamente por terem sido diretamente apagados por sua fama. Ben Jonson, John Fletcher e John Webster teriam sido grandes em qualquer outra época. Para comprovar esta grandeza podemos olhar para Ben Jonson, mais erudito que Shakespeare, foi a figura mais importante entre seus contemporâneos. Não teve grande sucesso com seus dramas, mas suas comédias tiveram sucesso comparável ao de Shakespeare.

    Nesse período não era comum a publicação das peças teatrais e muitas se perderam ou se mantiveram inéditas em seus manuscritos. E peças como Cardenio podem ou não terem sido escritas por Shakespeare.

    Como atividade o professor pode ler com os alunos trechos das peças de Shakespeare, poesias de poetas brasileiros e até usar letras de músicas para mostrar a poesia que há nelas. Podemos dar como exemplos as letras das músicas de Vinícius de Moraes e Chico Buarque de Holanda. Proponha ao grupo que escreva uma carta, uma poesia ou uma letra de música, com estes cunhos poéticos apresentados.

    3ª aula
    Nesta aula o professor poderá ressaltar que, na época de Shakespeare, era muito comum escrever um drama, uma tragédia ou uma comédia, tendo como base uma história conhecida; como os gregos, que utilizavam de sua mitologia nas peças dramáticas.

    A paródia surge a partir de uma nova interpretação, em geral cômica, da recriação de uma obra já existente e, em geral, consagrada. Seu objetivo é adaptar a obra original a um novo contexto, passando diferentes versões para um lado mais despojado, e aproveitando o sucesso da obra original para passar um pouco de alegria. A paródia pode ter intertextualidade.

    Neste momento, retome a matéria da VEJA, e comente o quadro “Porque Cardenio não é Shakespeare”. Proponha uma reflexão com os alunos: como se descobre que uma obra (poesia, música ou peça teatral) é ou não de um autor? Com esta reflexão, aponte questões como autoria, plágio e direitos autorais.

    Avaliação
    Tendo em vista as discussões e participação nas aulas anteriores, levante quais as perguntas que os alunos fariam aos atores e ao diretor de uma peça de Shakespeare.

    Bibliografia

    Cheney, Sheldon. Artigo: Shakespeare e seu tempo. Cadernos de Teatro no. 92, Rio de Janeiro 1982.

    Gassner, John. Mestres do Teatro I São Paulo, Editora Perspectiva, série estudos, 1997.

    Heliodora, Barbara. Falando de Shakespeare. São Paulo, Editora Perspectiva, série estudos, 1998.

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