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Inicial Fórum Teatro dedicado a Shakespeare ganha réplica no Brasil

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    Agência O Globo

    Publicação: 28/10/2012 12:49 Atualização:

    O ano de 1599 foi tão marcante na vida de William Shakespeare quanto o ano de 2016 deve ser para o produtor cultural mineiro Mauro Maya. Afinal, se naquele longínquo fim de século XVI o bardo vibrava com a construção e a inauguração do Globe Theatre, que se tornou a sede da companhia da qual fazia parte – a Lord Chamberlain’s Men -, a partir do mês que vem o brasileiro começa a pôr em prática o que lhe ocorreu há dez anos como um delírio: construir uma réplica do Shakespeare’s Globe Theatre no Brasil.

    Desde que deu partida em sua quixotesca missão, há três anos, Maya não mediu esforços, investimento, contatos e sua credibilidade como produtor até conseguir, em março passado, a assinatura de Neil Constable, o CEO do The Shakespeare Globe Trust (entidade mantenedora do Globe), oficializando a parceria que possibilitará a construção da primeira sede da companhia inglesa em terras estrangeiras.

    “Esta é a primeira vez que o Globe chancela a abertura de uma base e de uma réplica do teatro fora de Londres”, conta Maya, de 41 anos.

    Atividades começam ainda em 2012

    Com capacidade para 1.500 espectadores, o Globe brasileiro será acompanhado de um teatro menor, de 300 lugares, além de um centro cultural com salas de ensaio, escola, café e um jardim, que ocuparão uma área de 20 mil metros quadrados na cidade mineira de Rio Acima. O terreno foi cedido pela Vale do Rio Doce e poderá ser usado para fins culturais por 20 anos.

    “Ao término do contrato, ele poderá ser doado, se provarmos o bem que fizemos à área”, diz Maya.

    Distante 30 quilômetros de Belo Horizonte e 20 quilômetros de Ouro Preto, a empreitada lembra outro imponente projeto cultural localizado em outra pequena cidade mineira, Inhotim, onde o empresário Bernardo Paz construiu, em 2004, o maior museu a céu aberto do mundo. A comparação cabe porque a iniciativa de Maya não se encerra na construção do Globe brasileiro. Em paralelo às obras, o produtor cultural dará início, no próximo dia 1º de dezembro, ao Circuito Gandarela de Minas, uma plataforma de formação e difusão cultural que prevê a realização de 12 projetos artísticos e educacionais, pensados para circular por 25 municípios da região de Rio Acima.

    Destruído por um incêndio, reaberto, fechado e depois posto abaixo, em 1644, o Globe Theatre foi reconstruído ao longo de 40 anos, a partir de uma iniciativa do ator e diretor americano Sam Wanamaker (1919-1993). O novo Shakespeare’s Globe Theatre foi inaugurado em 1997, seguindo fielmente as medidas e a estrutura do original – uma de suas características é um palco projetado ao centro da plateia, que possibilita uma relação de proximidade entre ator e espectador.

    “Vimos em Mauro um homem que alimentava a mesma visão e energia de Sam, que trabalhou por quatro décadas até que o teatro ficasse de pé”, diz o CEO do Globe. “Até aqui, Mauro tem demonstrado sua capacidade de articulação, estabelecendo parcerias locais e internacionais. Além disso, ele entende o quão universal é a linguagem de Shakespeare, e o quanto ele é capaz de atingir as pessoas”.

    “A ideia é fomentar o desenvolvimento do quadrilátero ferrífero de Minas Gerais, preparando a região para receber o teatro Globe em 2016”, planeja Maya.  “Pensei em cada detalhe, para não dizerem que estamos construindo um elefante branco numa cidade desconhecida. Rio Acima é um ponto estratégico, entre cidades importantes de Minas, e o Globe será o polo irradiador desse circuito integrado. Há um conjunto de iniciativas que consolidarão um grande ciclo de arte, educação e desenvolvimento econômico não só para Minas, mas para o Brasil”.

    Para isso, o produtor estima que sejam necessários R$ 70 milhões, incluindo os R$ 50 milhões para a construção do teatro, que devem ser custeados por cinco diferentes empresas estrangeiras ao longo dos próximos três anos, enquanto o circuito cultural entre as cidades do Quadrilátero deve ser bancado por duas empresas nacionais.

    “Não haverá dinheiro público investido na construção do Globe”, diz Maya, que não revela os nomes das empresas envolvidas.

    Com rendimentos que chegam a R$ 100 milhões por ano, a sede de Londres e sua gestão autossustentável são o modelo proposto pelo produtor, que iniciou carreira na área há 12 anos, no Grupo Galpão. Maya foi o responsável por garantir à companhia mineira o patrocínio continuado da Petrobras, que sustenta todas as atividades desenvolvidas na sede do grupo.

    “Quando comecei a trabalhar com o Galpão, eles eram uma companhia com 18 anos de história, mas sem patrocínio nem sede, com dificuldades financeiras e sem uma estrutura que possibilitasse o trabalho de pesquisa que eles imaginavam”, lembra Maya. “O que proponho desde então é um modelo de gestão que garanta sustentabilidade e difusão cultural. Em Londres, o Globe movimenta milhões com bilheteria, patrocínio, exposições, comércio… Então, a ideia é que ele gere receita, que tenha um plano de negócios próprio para garantir a manutenção das contas e o trabalho integral dos artistas. Encaro isso como um divisor de águas em relação à produção profissional, porque as pessoas não podem pensar que lei de incentivo é o que basta, não se pode achar que isso é um berço esplêndido. Meu trabalho é a longo prazo e de olho em sustentabilidade”.

    A inauguração do teatro está prevista para 2016, ano em que serão celebrados os 400 anos da morte de Shakespeare. Até lá, Maya realizará por aqui, em 2014, a primeira edição do festival Globe to Globe, reunindo 12 produções internacionais de peças de Shakespeare.

    “Em 2016, já com o teatro pronto, vamos fazer a versão integral do festival, com 37 criações, ou seja, todas as peças de Shakespeare”, promete. “Além disso, a partir daí todas as nossas produções serão apresentadas em Londres e vice-versa”.

    Mas não apenas Shakespeare ocupará o palco do Globe brasileiro:

    “A ideia é montar também autores nacionais, como Ariano Suassuna, entre outros “, diz o produtor.

    A relação entre Shakespeare e o teatro brasileiro será investigada num núcleo de educação guiado pela pesquisadora Barbara Heliodora.

    “Estamos convidando uma série de atores para que eles estudem trechos de peças e sonetos”, conta Barbara. “Faremos gravações com esses atores, e os vídeos serão acompanhados por textos meus esclarecendo a importância de tal fragmento na peça em questão. O objetivo é ampliar a abrangência e o entendimento de Shakespeare no país”.

    As atividades educativas terão ressonância em plataformas digitais coordenadas por Eliane Costa, ex-gerente de patrocínios da Petrobras. O diretor mineiro Gabriel Villela também está envolvido no projeto, e irá comandar um núcleo de formação profissional e capacitação para artistas e técnicos.

    “As aspirações do Mauro são grandiosas”, diz Villela. “No meu núcleo serão investigados todos os pontos que possibilitam uma montagem teatral. Como pegar um texto e transformá-lo em cena, passando por valores barrocos da nossa cultura”.

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