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Inicial Fórum Discussão Geral Discussão Geral sobre Shakespeare Sobre as edições…Frank Kermode

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    Trinta e seis das peças de Shakespeare foram reunidas no Folio de 1923 (F, ou para distingui-lo de edições posteriores, F1). (Péricles e Os dois nobres parentes, mais tarde aceitos no cânone, não foram incluídas.) Das trinta e seis, dezoito não haviam sido publicadas anteriormente. O resto aparecera antes em versões in-quarto (Q) baratas. Algumas destas, chamadas “Bad Quartos”, não haviam sido autorizadas; outras, publicadas com o consentimento da companhia de Shakespeare, são chamadas de “Good Quartos”.

    Os Maus Quartos, na maioria com base em reconstituições de memória por atores, foram condenados pelos editores Heminge e Condell em seu prefácio do Folio como “cópias roubadas e sub-reptícias, mutiladas e deformadas pelas fraudes e ações furtivas de impostores injuriosos”. Os Bons Quartos, com base nas cópias guardadas no teatro, claramente têm maior relevância para a tarefa de se estabelecer o texto, embora haja ocasiões em que se torna necessário examinar os Maus. Por exemplo, o Mau Quarto de Hamlet (Q1, 1603) tem alguns aspectos interessantes, embora lhe falte naturalmente a autoridade que têm o Bom Quarto (Q2, 1604-5) e o texto do Folio (F, 1623).

    As relações entre textos de Quarto e Folio são por vezes complicadíssimas. Os editores de Hamlet, por exemplo, ainda têm de fazer a difícil opção entre Q2 e F, que apresentam diferenças substanciais, como base para seus textos; e nem podem ignorar inteiramente Q1.

    A natureza e qualidade do exemplar que chegava ao impressor variava consideravelmente. Não sobreviveu nem uma só cópia autógrafa de uma peça shakespeariana, e os detalhes da jornada da mesa do dramaturgo até a casa impressora muitas vezes permanecem obscuros, apesar da engenhosidade dos eruditos. “Foul papers” [“papéis sujos, manuscritos] era o termo aceito para o que o autor escreveu inicialmente; normalmente alguém então fazia uma cópia limpa que servisse de base para o livro do ponto do teatro, que tinha de ser licenciado por um funcionário da corte, o Mestre dos Festejos. Mudanças de várias espécies podiam ocorrer ao longo do percurso – nas transcrições, por ordem do Mestre dos Festejos, pelo ponto, ocasionalmente pelo próprio autor, ou alguma outra pessoa, quando revendo o texto. A cópia do impressor podia consistir nos “papéis sujos”, na cópia limpa, no livro do ponto, em uma cópia desse livro por um escriba, ou, nos quartos ilícitos, em uma versão estraçalhada, baseada no que se lembrava algum ator. Para algumas das peças do Folio parece que o impressor tinha como matéria-prima um Quarto impresso com correções ou acréscimos manuscritos (talvez vindos de um livro de ponto).

    Este é um relato perigosamente simplificado de assuntos que ainda são intensamente debatidos, mas que serve para os fins do momento. Usei alguns dos termos aqui definidos em que há diferenças consideráveis entre as cópias existentes de peças como Hamlet, Otelo e Rei Lear, pois constatei ser impossível escrever a respeito da linguagem das peças sem levar em conta algumas dessas variações.

     

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