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Inicial Fórum Discussão Geral Discussão Geral sobre Shakespeare Shakespeare: O homem que patrocina a Companhia Teatral do Chiado

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    As “Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos” estão em cena há 12 anos. Um fenómeno inédito;

    Quando, em 1996, foi a Londres passar umas férias, o encenador Juvenal Garcês estava longe de imaginar que traria para Portugal um dos maiores fenómenos teatrais da década. “As Obras Completas de William Shakespeare em 97 minutos” estão em cena há quase 13 anos. Hoje à noite, o trio de actores sobe mais uma vez ao palco para apresentar o espectáculo. Depois, tiram umas curtas férias até início de Setembro, altura em que começa a “nova temporada”. “Não tenho um fim à vista. Este espectáculo já faz parte das pessoas, como acontece lá fora com as peças de culto”, sentencia o encenador.

    Resumir as 37 obras do dramaturgo inglês em 97 minutos é uma tarefa quase estóica. Mas não só: é acima de tudo um risco financeiro e artístico, tratando-se de uma comédia alucinante, a um ritmo frenético. Mas ao adaptar para o português o texto de Adam Long, Daniel Singer e Jess Borgeson, a Companhia Teatral do Chiado conquistou as plateias. “E ganhou um patrocinador”, acrescenta Garcês. “William Shakespeare, mesmo depois de morto e enterrado, é o nosso grande patrocinador”

    Mas qual é, afinal, o segredo para este sucesso? “Acho que é Shakespeare, o facto de ser uma peça sobre a obra de um dos maiores dramaturgos de sempre, um génio da literatura e do teatro”, observa, reconhecendo, no entanto, a incógnita que o sucesso representa nestas lides do palco. “É sempre imprevisível, apesar de ter adorado a peça em Londres, ri-me do princípio ao fim.”

    Foi preciso muita engenharia e retórica para erguer o espectáculo em Portugal. E algum espírito de missão. “Na altura muita gente me desaconselhou. Diziam-me que poucos conheciam o Gil Vicente, quanto mais Shakespeare”, recorda o encenador. O assunto tornou-se quase uma obsessão: “Eu era o director da Companhia, era eu que mandava”, conta, entre risos, Juvenal Garcês, explicando a reserva dos actores.

    “Com um cenário mínimo, os adereços pobres e figurinos menos que simbólicos” o espectáculo ganhou em afectividade. “É muito próximo do público e as pessoas gostam disso”, acredita. Em Portugal, “há um teatro muito distante. Ao vivo é preciso sentir a transpiração entre público e actores, não é televisão”. O resultado são noites únicas de um espectáculo que obedece ao guião e ao texto, mas com espaço para a improvisação. Por vezes, os actores conversam com o público num ambiente quase informal. Desde a estreia, as ‘obras’ tiveram quatro elencos diferentes, com um actor, Simão Rubim, como “residente”. Agora, regressou o original. Cansados? “Sempre disse, quem se cansa pode tirar férias.”

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