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Inicial Fórum William Shakespeare Quem foi William Shakespeare? Shakespeare e o seu tempo

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    Escolhido pelo ingleses como a personalidade do milênio, sabe-se porém muito pouco sobre a vida de William Shakespeare. Descrever as circunstâncias gerais da época em que ele viveu não explica o seu gênio, mas ajuda a entender o motivo de certos temas que ele abordou.

    O artista e as suas circunstâncias

    “A fim de imaginarmos, de forma aproximadamente precisa, determinada pessoa, temos antes de mais nada de estudas a sua época, fase em que podemos até mesmo ignorá-la, para depois, a ele retornando, encontrar o maior agrado na sua contemplação.”
    Goethe em carta a Zelter, 1828

    Isabel I, a rainha herética
    O cenário histórico em que viveu Shakespeare foi inteiramente dominado pela forte presença da polêmica personalidade de Isabel I (1558-1603), chamada pelo povo de Good Queen Bess. Ela reinou na Inglaterra por longos 45 anos. Nesse quase meio século, em suas questões domésticas, o trono de Isabel não só foi ameaçado por vários complôs e atentados, como também enfrentou, vindo de fora, sérios desafios à sua sobrevivência como reino. O reino foi palco de vários conflitos religiosos e teológicos que separavam os católicos (papistas), os calvinistas (puritanos) e os que seguiam a religião oficial (anglicanos).

    A execução de Mary Stuart

    Num dos mais escandalosos affairs daquele época, os que faziam oposição à política pró-protestante da rainha Isabel (que apoiou o levante dos Países Baixos contra o domínio católico espanhol em 1572), conspiraram para que a sua prima Mary Stuart da Escócia a sucedesse. Naquela época, Mary encontrava-se aprisionada na própria Inglaterra, onde viera buscar abrigo depois de ter sido apontada como suspeita no assassinato do seu marido, Lord Darnley. Os conspiradores católicos, se bem sucedidos, queriam que ela ascendesse ao trono da prima herética, envolvendo-a numa confusa e perigosa correspondência. Descoberta a trama, a bela Mary Stuart foi decapitada em 1587, tornando-se uma mártir do catolicismo.
    A excomunhão de Isabel

    A execução de um rainha católica em mãos de uma governante considerada herética, como era o caso de Isabel (filha de Henrique VIII com Ana Bolena), soou como uma declaração de guerra. O que motivou o papa Pio V a lançar a Bula da Excomunhão autorizando a qualquer católico participar da deposição e até da morte de Isabel, se tal fosse possível . Desde então, o reino passou a conviver com a constante ameaça de uma invasão da parte da Espanha, a maior potência católica do mundo e senhora de um império onde “o Sol nunca se punha.” Para realizar tal intento, visando esmagar aquela ilha que abrigava a heresia, Felipe II, o rei espanhol, organizou em 1588 uma poderosa expedição naval-militar.

    A invencível armada

    A então chamada “invencível armada” tinha a missão de ir ocupar a Inglaterra. A enorme operação naval fracassou devido a uma série de tormentas que desbarataram boa parte da esquadra, e, claro, à bravura dos marinheiros ingleses, liderados por Francis Drake, que conseguiram abordar e destruir as naus dos invasores espanhóis que restaram. Curiosamente, enquanto Cervantes na Espanha arrecadava recursos para prover a grande esquadra, Shakespeare em Londres, provavelmente na mesma época, recolhia material para suas peças patrióticas.

    O Desastre da Armada, 1588
    Shakespeare registrou esse extraordinário acontecimento que salvou o país de uma ocupação estrangeira na peça Cimbelino (ato III, cena 1): “lembrai-vos… das resistências naturais que vossa ilha oferece, verdadeiro jardim de Netuno, eriçada, estacada com rochas inacessíveis, vagas bramindo, bancos de areia que, em vez de sustentarem os navios inimigos, os engoliriam até os mastros… um desastre, o primeiro que jamais o atingiu, repeliu das nossas costas, duas vezes vencido, e os seus navios, simples joguetes dos nossos terríveis mares, sacudidos pelas ondas, esmagaram-se facilmente como casacas contra os nossos rochedos.”

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