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Inicial Fórum William Shakespeare Debate de autoria e apócrifos Será que Shakespeare foi mesmo Shakespeare?

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    JOSÉ MÁRIO SILVA

     

    É uma das controvérsias mais antigas da literatura inglesa: quem foi, ao certo, William Shakespeare? As dúvidas sempre existiram. Sobre a sua biografia, sobre o percurso acidentado no mundo do teatro isabelino, sobre a sua verdadeira identidade e, até, sobre o facto de assinar uma obra dramática simultaneamente demasiado ampla e demasiado genial para um homem só.

    Agora, as recorrentes desconfianças voltaram à ordem do dia no Reino Unido. Um grupo de 287 actores e figuras ligadas ao mundo teatral, que se autodenomina The Shakespeare Authorship Coalition (a aliança dos que questionam a autoria de Shakespeare), redigiu uma “declaração de dúvida legítima”, em que constam as principais inconsistências da visão oficial sobre o maior escritor britânico de todos os tempos, figura literária envolta numa espécie de bruma em que factos e lendas se misturam.

    Além dos quase 300 nomes que assinaram o documento apresentado no Minerva Theatre (Chichester), em que constam grandes protagonistas da cena cultural inglesa contemporânea – Sir Derek Jacobi ou Mark Rylance, por exemplo -, o grupo incluiu no seu manifesto a menção a 20 cépticos do passado, entre os quais Mark Twain, Orson Welles, Charlie Chaplin ou Sir John Gielgud, nem de propósito um dos maiores actores shakespearianos do século XX.

    A principal teoria da Coalition é a de que “ninguém conseguiria fazer tudo aquilo sozinho”. Por outro lado, não há provas de que Shakespeare alguma vez tenha sido pago pelo seu trabalho e todos os registos documentais relativos à sua pessoa são extra-literários. No testamento, por exemplo, em que deixou à mulher a sua segunda melhor cama, não existe qualquer menção a livros.

    Mas há mais. “Como é que um homem criado em meios populares conseguiu descrever com tanta minúcia a vida das classes altas e com tanto rigor histórico a sociedade italiana?”, assinala o grupo. “E por que é que Stratford-upon-Avon, terra natal, nunca é referida nas suas peças?”

    As teorias da conspiração sobre Shakespeare começaram a circular em meados do século XVIII e levaram a todo o tipo de especulações. Entre os vários candidatos à autoria de Hamlet ou Rei Lear, a que o “verdadeiro” Shakespeare apenas emprestaria o nome (como qualquer vulgar testa-de-ferro), contam-se o dramaturgo Christopher Marlowe, o nobre Edward de Vere e Francis Bacon, criador do método científico.

    Quase quatrocentos anos após a morte de Shakespeare (1616), a Coalition pretende levar o velho enigma aos meios académicos britânicos.|

     

     

     

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