Please consider donate. | Por favor, considere doar qualquer quantia para mantermos o site.

Inicial Fórum Sonetos e Poemas de Shakespeare Os Sonetos As Personas dos Sonetos: O Poeta Rival

Visualizando 1 post (de 1 do total)
  • Autor
    Posts
  • #10908

    Tradução por Rafael Antonio Blanco.

    O Poeta Rival é a menos significante das quatro personas nos Sonetos, apesar de seu breve aparecimento, dos sonetos 78-86, precipitar uma série de crises na autoconfiança do falante – como um poeta, como escritor que desfruta a “assistência justa” de um suporte de um patrão e, mais pessoalmente, como um favorito exclusivo do Jovem Homem e participante com ele de um relacionamento complexo dramatizado ao longo dos primeiros 126 sonetos. A respeito disso, especialmente, o Poeta Rival faz um importante papel em completar outra “triangulação” que repetidamente marca a sequência de Shakespeare e mina a paz da mente do falante. Já escutamos insinuações na sequência do comportamento pobre do Jovem Homem e vimos um drama de infidelidade também, talvez entre o Jovem Homem e a Dama Negra, nos sonetos 40-42. A “pena estranha” do Poeta Rival irá da mesma forma alienar o falante da afecção do Jovem Homem, assim criando um segundo triângulo totalmente masculino. Dito isso, o soneto 76 indica uma dúvida em si mesmo no falante, de que a subsequente presença do rival só aumente. “Por que meu verso é desprovido do novo orgulho,” a linha da abertura pergunta, por que ele está fora de moda e um estranho a “Novos métodos encontrados e estranho a misturas”? Porém a segunda metade do soneto oferece uma resolução: “Você e o amor continuam sendo meus argumentos,” o falante diz ao Jovem Homem. Ele coloca um novo vestido em antigas palavras que refletem a consistência do relacionamento deles. Isso explica o estilo fora de moda do falante, que ele parece defender aqui de forma indireta?

     O soneto 78, tradicionalmente o primeiro do grupo do “Poeta Rival”, ainda não reflete uma competição direta entre os poetas velhos e novos, mas reconhece que o Jovem Homem inspirou e recebeu versos não somente do falante, mas também de “toda pena estranha.” Note como, nesse ponto, o falante defensivamente introduz um grupo de poetas, figurados aqui como invasores que competem para tomar o “uso” acostumado do falante, querendo dizer sua atividade poética, ou possível recompensa, com respeito ao jovem patrono. Quando o soneto faz a virada, no terceiro quarteto, o falante individualiza-se como o poeta mais leal e superior. Ele apela para o Jovem Homem ser “o mais orgulhoso” dele. As virtudes do Jovem Homem inspiram todos os poetas. Ainda que ele aumente os versos dos outros poetas de formas apenas superficiais, estilísticas, enquanto “tu és todo minha arte,” o falante declara. Os sonetos 79 e 80 intensificam as tensões introduzidas nos poemas anteriores. Alguns críticos interpretaram a repetição de “sozinho” nas primeiras duas linhas do soneto 79 como a ênfase do falante em ter sido deixado a sós. Entretanto, o significado primário aqui é sua raiva em ter sido anteriormente o poeta exclusivo do Jovem Homem e agora tendo competição, incluindo um poeta particular que faz o falante sentir-se inferior. Esse Poeta Rival é chamado de “uma caneta mais valorosa” poucas linhas depois e no soneto 80 torna-se “um melhor espírito.” O soneto 79 é principalmente acusatório, insinuando que o Poeta Rival é uma falsificador e mesmo um ladrão, “roubando” a aparência e o comportamento do Jovem Homem para ofertá-los novamente, como se fossem os presentes do próprio rival. Isso pode ser uma acusação sensível, porque qualquer aristocrata ficaria preocupado com servos possivelmente agindo desonestamente em sua propriedade. O complexo de inferioridade do falante cresce no soneto 80, assim como sua confiança na aprovação do Jovem Homem e na preferência por ele e sua poesia. Tomado igualmente, o falante concede que os elogios do Poeta Rival ameaçam deixá-lo “com a língua presa,” e ele julga-se “muito inferior” comparado com seu competidor. Apesar que se o Jovem Homem quiser, ele pode fazer, pelo seu favor, o humilde parecer “como a mais orgulhosa vela.” (sail)

    Se a crítica do falante ao Poeta Rival abre espaço para um apelo ao Homem Jovem, nos sonetos 79 e 80, então o tom mais frio do soneto 82 pode fazer essa segunda empreitada menos realizável. Assim como o soneto 116 (que também centra na ideia de casamento), há uma forte impressão que o falante está respondendo a uma crítica anterior pelo Jovem Homem. Provavelmente o patrão objetou à raiva ou os sentimentos machucados do falante, dizendo que ele não era “casado,” ou exclusivamente unido com a musa do falante. Indiretamente nós ouvimos informações adicionais sobre o Poeta Rival: tão grande é o valor do Jovem Homem, que ele deve “buscar novos / Algum carimbo mais fresco dos dias melhores.” O restante das linhas do soneto fornece ironia à frase “time-bettering”, ainda que o fato permaneça, que o patrão encontre na poesia rival algo de mais fresco e mais atual que aquela do falante antigo. O poeta mais velho acha as atrações do rival dúbias, cheias de “toques manchados” e “pintura grossa,” e não iguala a suas próprias “palavras verdadeiras e planas.” O soneto 83 isola o triângulo ainda mais ao mencionar para o Jovem Homem “ambos seus poetas.”

    Os sonetos 85 e 86 leva a sequência do Poeta Rival a um fechamento climático, desencorajador para o falante. Primeiro ouvimos do seu declínio poético. Sua “Musa de língua-atada” leva-o a ter um papel passivo, silencioso, perante as “boas palavras” “daquele belo espírito.” O rival tornou-se independente, com “forma polida de uma pena bem-refinada.” Embora o soneto 86 apresente duas longas questões, um tom de finalidade leva a pensar que essas questões são retóricas e amarguradas. Os críticos encontraram na linha de abertura – “Foi a completa e orgulhosa vela do seu grande verso” – uma dica do próprio estilo do Poeta Rival, um aparente alto estilo “acima do tom mortal.” John Blades memoravelmente sumarizou os sons que interrompem o fluxo de ar do “b” e “p” como criando um “ousado peso dramático.”

    Em 1874 William Minto sugeriu primeiramente George Chapman como o melhor candidato para o Poeta Rival, e Chapman permanece a escolha mais válida hoje. (Praticamente todo escritor contemporâneo a Shakespeare foi proposto, incluindo Christopher Marlowe, Ben Jonson, Samuel Daniel e Edmund Spenser.) Como um tradutor que reproduziu os poemas épicos homéricos em forma longa, as “quatorze” linhas inglesas, ele melhor se enquadra no desdém do falante, apreciação vencida e a obra de Chapman Shadow of Night pode ter sido aludida nas últimas linhas desses sonetos. O drama finalmente repousa sobre o Jovem Homem, entretanto. É sua “fisionomia” – a inspiração da sua aparência, mas mais importante sua aceitação – que permitiu o Poeta Rival navegar “completo” e garantiu que ao falante faltasse “matéria”, querendo dizer conteúdo poético, mas também uma privação pessoal, sentida mais profundamente. A honestidade dolorosa do falante nesses sonetos, acima da sua arte e posição social, sua amizade e seu amor, são razões significantes porque tantos leitores através dos séculos encontraram insistentemente nos Sonetos um registro de Shakespeare o homem.

Visualizando 1 post (de 1 do total)

Você deve fazer login para responder a este tópico.

Fechar Menu