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Inicial Fórum Sonetos e Poemas de Shakespeare Os Sonetos As melhores traduções dos Sonetos de Shakespeare

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    O professor de literatura inglesa John Milton, da USP, indica as melhores traduções para o português da obra de William Shakespeare

    Texto Marion Frank

    Traduções em português da obra de Shakespeare há de montão, basta acessar a internet e se impressionar com a quantidade e a diversidade. Mas os textos shakespearianos apresentam mil e uma armadilhas para quem deseja tornar compreensível, em outro idioma, as ideias, os trocadilhos e os vocábulos inventados pelo Bardo genial. A esse respeito, a professora da PUC-RJ, Márcia Martins, em artigo publicado na Revista EntreClássicos (2006), ressaltou: “Há versões para quase todo tipo de expectativa ou preferência, em prosa e verso, somente em prosa com dicção erudita, em linguagem coloquial com maior ou menor ênfase nos trocadilhos, acentuando, mantendo ou suavizando a linguagem chula… Enfim, uma ampla gama de “Shakespeares” em português do Brasil vem sendo produzida há mais 75 anos.”

    Quantidade não faz rima com qualidade. E se causa assombro o volume de Sonetos traduzidos para o português no reino da web, também é de espantar o quanto duvidoso pode ser o seu valor. John Milton, professor de literatura inglesa da USP, tem expertise sobre o assunto para separar o joio do trigo. “Uma das maiores dificuldades que o tradutor em língua portuguesa encontra é lidar com o grande número de palavras de uma e duas sílabas do inglês, característica muito bem aproveitada por Shakespeare em tudo o que escreveu”, assinala. “É por isso que o poeta concretista Haroldo de Campos usa a imagem de arquiteto e a de engenheiro para definir o trabalho do tradutor – arquiteto no sentido de conceber uma poética e engenheiro, no de voltar a erguer o ‘prédio’.” Apreciando as traduções à venda no nosso mercado segundo esse prisma, John Milton fez escolhas e explica a razão.

    Sonetos, de Jorge Wanderley:

    “É a tradução que mais gosto, livro editado pela Civilização Brasileira, em 1990 – será um achado encontrá-lo nos sebos do País… A razão da preferência? Porque ele soube manter, na tradução, a concisão que é típica de Shakespeare. Wanderley foi um cardiologista que gostava de trabalhar com o idioma inglês nas horas de lazer, ele morreu cerca de dez anos atrás. Em seu trabalho, é notável a maneira como reescreve o soneto, sem tentar traduzir palavra por palavra – e consegue fazê-lo, adotando o verso de dez sílabas tão caro a Shakespeare. Naturalmente, Wanderley só conseguiu essa concisão porque deixou de lado conteúdos em destaque no poema original. Esse é um problema recorrente no trabalho de tradução, seja ele qual for: manter as rimas sem que elas destoem entre si. Porque muitas vezes percebe-se que o tradutor realça uma determinada palavra apenas para seguir a rima – e não ser fiel ao texto original. No caso de Wanderley, não, ele não força a barra, nem enche lingüiça (algo que o inglês chama de “padding”), mas sim faz uso de um imaginário semelhante ao de Shakespeare, respeitando a concisão e as regras do decassílabo e das rimas.

    Sonetos, de Carlos Alberto Nunes

    “Foi outro médico apaixonado pelo universo shakespeariano, a ponto de ter sido o único, no Brasil, a traduzir a obra completa do Bardo para o português. Por ser um trabalho realizado décadas atrás, algumas opções adotadas por Nunes podem soar obsoletas – é bom lembrar que hoje não existe mais aquela obrigatoriedade, típica dos anos 50, de se alcançar a rima no verso custe o que custasse, mesmo se ela não fizesse parte do texto original”.

    Sonetos Completos, de Vasco Graça Moura

    “Esse trabalho, datado de 2005, leva a assinatura de um poeta (e político) bastante conhecido em Portugal, Vasco Graça Moura. Chama a atenção o esforço em usar decassílabos e criar imagens de algum modo próximas às de Shakespeare. Para tanto, Vasco se serve de um vocabulário bem mais próximo dos leitores portugueses que dos brasileiros. Um bom trabalho”.

    30 Sonetos, de Ivo Barroso

    “No Brasil, um dos tradutores mais conhecidos dos poemas de Shakespeare é Ivo Barroso. Nesse trabalho, ele faz uso de palavras pomposas e de um vocabulário pouco conhecido para atingir as rimas – é bom lembrar que a linguagem utilizada por Shakespeare, em seu universo poético, não é de nível tão elevado assim… Em 2005, Ivo Barroso lançou outra coletânea de poesias shakespearianas, “42 Sonetos”. Vale a pena ler e reparar na diferença de estilo entre tradutores brasileiros.”

    Poemas de Amor, Barbara Heliodora

    “Barbara é muito conhecida como crítica e tradutora das peças teatrais de Shakespeare, mas ela também assina traduções de sonetos, como as dessa obra que teve seu lançamento em 2001. Ela também procura manter, na tradução para o português, os decassílabos e o padrão das rimas, mas acaba perdendo imagens fortes da poética de Shakespeare para se manter fiel ao modelo do soneto inglês.”

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