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    Pouse o pássaro cantante
    sobre a solitária árvore da Arábia,
    A anunciar e proclamar, triste,

    Aos que obedecem às castas asas.

    Mas tu, esganiçado mensageiro,
    Precursor terrível do demônio,

    Augúrio dos estertores,
    Destes dois não te aproximes.

    Afasta neste momento
    Todo pássaro tirânico,
    Exceto a águia, rei das aves:
    Mantém o acesso restrito.

    Deixemos o padre em branca sobrepeliz,
    Como faz o canto-chão,
    Ser o cisne portador da morte,
    A menos que o réquiem se subjugue.

    E tu, corvo de canto agudo,
    Que segues soturno

    Como o ar que respiras,
    Entre nossos enlutados seguirás.

    Aqui começa nossa antífona:
    Morreram o amor e a constância:

    A Fênix e a Pomba partiram
    Numa única flama daqui.

    Eles se amavam ternamente,

    Aspiravam à mesma essência;
    Sendo dois, eram um:
    No amor, eram um só.

    Corações remotos, mas unidos;
    Na distância, não havia espaço
    Entre a pomba e sua rainha;
    Mas neles, isso era um assombro.

    Então, entre os dois o amor brilhava,

    Assim a pomba quis

    Brilhar diante da fênix:

    Qualquer uma que fosse minha.

    O dono estarreceu-se,
    Que um deles deixou de ser quem era:
    O nome duplo de uma mesma natureza,

    Não chamou nenhum dos dois.

    A razão, confundida,

    Viu aumentar a distância;

    Para eles, entretanto, seguiam
    Simples e bem compostos.

    Exclamaram: como dois
    Podem parecer um só!
    O amor sabe e, ao mesmo tempo,

    Não sabe o que os mantém unidos.

    Assim, compôs-se este lamento

    Para a fênix e a pomba,

    Tão supremas e estrelas do amor;

    Como coro para seu trágico fim.

    LAMENTOS.

    Beleza, verdade e raridade.

    A graça em toda simplicidade,
    Aqui jaz reduzida a cinzas.

    A morte acolhe a fênix em seu ninho;

    E o peito fiel da pomba

    Descansa por todo o sempre,

    Sem deixar posteridade: –
    Essa não era sua firmeza,
    Casaram-se em castidade.

    Parece verdade, mas não pode ser:

    A beleza proclama, mas ela não é;
    A verdade e a beleza são enterradas.

    A esta urna, devemos sussurrar
    Verdadeira ou justa;

    Uma oração a estes pássaros feridos.

    Tradução: Thereza Christina Rocque da Motta

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