Citações

Aceitação

Devemos aceitar o que é impossível deixar de acontecer.

As alegres comadres de Windsor

Ato V – Cena V: Page

 

Adulação

Melhor assim: saber que é desprezado do que sê-lo sob a capa da lisonja.

O Rei Lear

Ato IV – Cena I: Edgar

 

Quem gosta de ser adulado é digno do adulador.

Timão de Atenas

Ato I – Cena I: Apemanto

 

Adultério

A mancha do adultério em mim se alastra. Trago no sangue o crime da luxúria, pois se ambos somos um, e prevaricas, na carne trago todo o teu veneno, por teu contágio me tornando impura.

A comédia dos erros

Ato II – Cena II: Adriana

 

Se os maridos das esposas infiéis desesperassem, enforcar-se-ia a décima parte da humanidade.

Conto do inverno

Ato I – Cena II: Leontes

 

Adversidade

A adversidade põe à prova os espíritos.

Coriolano

Ato IV – Cena I: Coriolano

 

Advogado

Como advogados procedamos, os quais, embora com calor discutam, depois comem e bebem como amigos.

A megera domada

Ato I – Cena II: Trânio

 

Água

As águas correm mansamente onde o leito é mais profundo.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Suffolk

 

Águia

As águias deixam que os passarinhos cantem, sem nenhuma preocupação com seu trinado alegre, certas de que com a sombra de suas asas poderão reduzi-los ao silêncio.

Tito Andronico

Ato IV – Cena IV: Tamora

 

Alma

Só a alma é que macula a natureza.

Noite de reis

Ato III – Cena IV: Antônio

 

Amar a si mesmo

Contemplo o mundo há quatro vezes sete anos, e desde que me tornei capaz de distinguir uma injúria de um benefício, nunca encontrei um homem que soubesse como amar a si mesmo.

Otelo

Ato I – Cena III: Iago

 

Ambição

A verdadeira substância da ambição é a sombra de um sonho.

Hamlet

Ato II – Cena II: Guildenstern

 

Forçai-o com elogios. Mais água! Mais água! Sua ambição está seca.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena III: Nestor

 

Ó, futil ambição, que destróis as próprias fontes de tua vida!

Macbeth

Ato II – Cena IV: Ross

 

Amizade

Chorar velhos amigos que perdemos não é tão proveitoso e saudável como nos alegrarmos pelas novas aquisições de amigos.

Trabalhos de amor perdidos

Ato V – Cena II: Rei

 

Nada me deixa tão feliz quanto ter um coração que não se esquece de seus amigos.

Ricardo II

Ato II – Cena III: Bolingbroke

 

A amizade é constante em tudo, menos nos assuntos do amor.

Muito barulho por nada

Ato II – Cena I: Cláudio

 

Sempre que a amizade adoece (…) lança mão de fórmulas forçadas.

Júlio César

Ato IV – Cena II: Brutus

 

Os amigos me adulam e me fazem de asno, mas meus inimigos me dizem abertamente que o sou, de forma que com os inimigos (…) aprendo a me conhecer e com os amigos me sinto prejudicado.

Noite de reis

Ato V – Cena I: Bobo

 

O amigo comprovado, prende-o firme no coração com vínculos de ferro, mas a mão não calejes com saudares a todo instante amigos novos.

Hamlet

Ato I – Cena III: Polônio

 

Tem amigos que nunca aos outros importuna.

Hamlet

Ato III – Cena II: O Rei da peça-dentro-da-peça

 

Por que precisaríamos de amigos, se nunca tivéssemos necessidades deles? Seriam as criaturas mais inúteis do mundo (…) e se assemelhariam a esses instrumentos agradáveis que permanecem nos estojos, guardando consigo suas harmonias.

Timão de Atenas

Ato I – Cena II: Timão

 

É preferível não ter amigos do que os ter mais nocivos que inimigos.

Timão de Atenas

Ato I – Cena II: Flávio

 

Porventura tem a amizade um coração tão fraco, que numa noite ou pouco mais se muda?

Timão de Atebas

Ato III – Cena I: Flamínio

 

Ninguém sabe onde tem um amigo.

A Tempestade

Ato II – Cena II: Estéfano

 

Amo

Muitos passam para outro amo pisando no primeiro.

Timão de Atenas

Ato IV – Cena III: Timão

 

Amor

Amar é comprar escárnio à custa de gemidos.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena I: Valentino

 

Amar é ser vencida a razão pela tolice.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena I: Valentino

 

Os botões fragrantes às vezes dão abrigo a lagartas; o amor devorador, de igual maneira, demora nos espíritos sublimes.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena I: Proteu

 

Menos ama quem só fala de amor.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena II: Luceta

 

O sincero amor quase não fala; melhor se adorna com fatos e ações a verdadeira fé, não com palavras.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato II – Cena II: Proteu

 

Quem no amor respeita amigos?

Os dois cavalheiros de Verona

Ato V – Cena IV: Proteu

 

Se o amor é cego, nunca acerta o alvo.

Romeu e Julieta

Ato II – Cena I: Mercúcio

 

Em tempo algum teve um tranquilo curso o verdadeiro amor.

Sonho de uma noite de verão

Ato I – Cena I: Lisandro

 

O amor não vê com os olhos, vê com a mente; por isso é alado, é cego e tão potente.

Sonho de uma noite de verão

Ato I – Cena II: Helena

 

O Amor é cego, e os namorados nunca veem as tolices que praticam.

O mercador de Veneza

Ato II – Cena IV: Jéssica

 

Se não te lembram as menores tolices que o amor te levou a fazer, é que jamais amaste.

Como gostais

Ato II – Cena IV: Silvio

 

Um assassino não se denuncia tão prestes como o amor que tem vergonha.

Noite de reis

Ato III – Cena I: Olívia

 

Buscar o amor é bom, melhor é achá-lo.

Noite de reis

Ato III – Cena I: Olívia

 

Tal como a sombra, o amor corre de quem o segue: foge, se o perseguis; se fugis, vos persegue.

As alegres comadres de Windsor

Ato II – Cena II: Ford

 

Um grande amor nos sustos se confirma.

Hamlet

Ato III – Cena II: A rainha da peça-dentro-da-peça

 

O tempo lhe modera [ao amor] o ardor e o brilho.

Hamlet

Ato IV – Cena VII: O Rei

 

Nisto (…) é que consiste a monstruosidade do amor: em ser infinita a vontade e limitada a execução; em serem ilimitados os desejos, e o ato, escravo do limite.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena II: Troilo

 

Deve morrer de amor a corça tímida que aspirava a um leão para consorte.

Bem está o que bem acaba

Ato I – Cena I: Helena

 

Ela me amou à vista dos perigos por que passei, e muito amor lhe tive, por se ter revelado compassiva.

Otelo

Ato I – Cena III: Otelo

 

O amor não é amor quando se mescla de considerações que aberram da meta principal.

O Rei Lear

Ato I – Cena I: França

 

Pobre é o amor que pode ser contado.

Antônio e Cleópatra

Ato I – Cena I: Antônio

 

Antes amar quem só o mal me deseja a quem, fingindo o bem, só o mal me enseja.

Timão de Atenas

Ato IV – Cena III: Flávio

 

Os motivos do amor não têm motivo.

Cimbelino

Ato IV – Cena II: Arvirago

 

Amor-Próprio

O amor-próprio é pecado menos grave do que o descuido próprio.

Henrique V

Ato II – Cena IV: Delfim

 

Aparência

Mais nobre é o gaio do que a cotovia, por ter plumagem mais bonita?

A megera domada

Ato IV – Cena III: Petrucchio

 

Como há tantas coisas, abjetas na aparência, mas preciosas em sua aplicação!

Troilo e Cressida

Ato III – Cena III: Ulisses

 

Quando os diabos querem dar corpo aos mais nefandos crimes, celestial aparência lhes emprestam.

Otelo

Ato II – Cena III: Iago

 

Arte

A arte suprema no próprio zelo encontra melhor tema.

Trabalhos de amor perdidos

Ato V – Cena II: Princesa

 

Asno

Frear se deixam tão somente os asnos.

A comédia dos erros

Ato II – Cena I: Adriana

 

Aspiração

É lícito aspirar ao que não se pode alcançar.

Péricles

Ato II – Cena I: Primeiro pescador

 

Ato

Tens medo de nos atos (…) mostrar-te igual ao que és nos teus anelos?

Macbeth

Ato I – Cena VIII: Lady Macbeth

 

Ato de Representar

Que a discrição te sirva de guia; acomoda o gesto à palavra e a palavra ao gesto, tendo sempre em mira não ultrapassar a modéstia da natureza, porque o exagero é contrário aos propósitos da representação, cuja finalidade sempre foi, e continuará sendo, como que apresentar o espelho à natureza, mostrar à virtude suas próprias feições, à ignomínia sua imagem a ao corpo e idade do tempo a impressão de sua forma. O exagero ou o descuido, no ato de representar, podem provocar riso aos ignorantes, mas causam enfado às pessoas judiciosas, cuja censura deve pesar mais em tua apreciação do que os aplausos de quantos enchem o teatro.

Hamlet

Ato III – Cena II: Hamlet

 

Autoridade

Conquanto possa a autoridade errar como os demais, encerra em sua natureza o remédio que a ferida logo faz sarar.

Medida por Medida

Ato II – Cena II: Isabela

 

Embora a autoridade seja um urso teimoso, muitas vezes, à vista do ouro, deixa-se conduzir pelo nariz.

Conto do inverno

Ato IV – Cena III: Bobo

 

Beijo

Entre dois beijos abrimos mão de reinos e províncias.

Antônio e Cleópatra

Ato III – Cena VIII: Escaro

 

Por mil milhas com um beijo terno podereis levar-nos, sem que nos faça andar um passo a espora.

Conto do inverno

Ato I – Cena II: Hermíone

 

Beleza

A beleza é julgada pelo olhos de quem compra, jamais pelos reclames convencionais do vendedor estulto.

Trabalhos de amor perdidos

Ato II – Cena I: Princesa

 

Mais que o ouro, a formosura aos ladrões chama.

Como gostais

Ato I – Cena III: Rosalinda

 

Ó, beleza! Onde está tua verdade?

Troilo e Cressida

Ato V – Cena II: Troilo

 

Bem e Mal

Aos homens sobrevive o mal que fazem, mas o bem quase sempre com seus ossos fica enterrado.

Júlio César

Ato III – Cena II: Antônio

 

As coisas em si mesmas não são nem boas nem más, é o pensamento que as torna desse ou daquele jeito.

Hamlet

Ato II – Cena II: Hamlet

 

A teia de nossa vida é composta de fios misturados: de bens e de males. Nossas virtudes se tornariam orgulhosas sem os açoites de nossos defeitos, como os nossos vícios desesperariam, se não fossem alentados pela virtude.

Bem está o que bem acaba

Ato IV – Cena III: Primeiro Nobre

 

Neste mundo terreno onde é louvável fazer o mal, o bem-fazer é insânia perigosa.

Macbeth

Ato IV – Cena I: Lady Macduff

 

Boa Vontade

Quando há boa vontade, embora saia tudo aquém da expectativa, desculpa-se o ator.

Antônio e Cleópatra

Ato II – Cena V: Cleópatra

 

Bondade

Até mesmo a bondade, se em demasia, morre do próprio excesso.

Hamlet

Ato IV – Cena VII: O Rei

 

Borboleta

Há muita diferença entre a crisálida e a borboleta, mas a borboleta já foi crisálida.

Coriolano

Ato V – Cena IV: Menênio

 

Briga

Foge de entrar na briga; mas se acaso brigares, faz com que o competidor te tema sempre.

Hamlet

Ato I – Cena III: Polônio

 

Caça

A caça é grande quando os cães fazem cerco a noite toda.

As alegras comadres de Windsor

Ato V – Cena V: Falstaff

 

Calúnia

Da calúnia a virtude não se livra.

Hamlet

Ato I – Cena III: Laertes

 

Para a (…) vil calúnia, até a mais pura virtude é infensa vítima.

Medida por medida

Ato III – Cena II: Duque

 

Calvície

Quem é calvo por natureza, em tempo nenhum recupera o cabelo.

A comédia dos erros

Ato II – Cena II: Drômio de Siracusa

 

O que o tempo nega aos homens em cabelo, dá em inteligência.

A comédia dos erros

Ato II – Cena II: Drômio de Siracusa

 

Cansaço

O cansaço ronca em cima de uma pedra, enquanto a indolência acha duro o melhor travesseiro.

Cimbelino

Ato III – Cena IV: Belário

 

Cão

Os cães medrosos ladram com mais vigor quando veem a caça correndo à distância, pois imaginam que estão sendo temidos.

Henrique V

Ato II – Cena IV: Delfim

 

Para dar num cão sempre se encontra um pau à mão.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Gloster

 

Capim

Ela me dá capim e eu zurro.

A comédia dos erros

Ato II – Cena II: Drômio de Siracusa

 

Carneiro

Perde-se facilmente um carneiro quando o pastor se afasta do rebanho.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena I: Proteu

 

Castidade

A castidade rica, (…) como o avarento, mora em casa pobre, tal como a pérola na ostra imunda.

Como gostais

Ato V – Cena IV: Toque

 

É mais fácil encontrar vinte rolinhas lascivas do que um homem casto.

As alegres comadres de Windsor

Ato II – Cena I: Senhora Page

 

Causa Justa

Não pode haver couraça mais forte do que um coração limpo. Está três vezes mais armado quem defende a causa justa, ao passo que está nu, ainda que de aço revestido, o indivíduo de consciência manchada por ciúmes e injustiças.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena II: Rei Henrique

 

Cavalo

Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!

Ricardo III

Ato V – Cena IV: Rei Ricardo

 

Celeridade

Os negligentes é que mais admiram a celeridade.

Antônio e Cleópatra

Ato III – Cena VII: Cleópatra

 

Cérebro

Possuo um coração tão impetuoso quanto o vosso. Contudo, tenho cérebro que sabe dirigir a estuosa cólera para vantagem própria.

Coriolano

Ato III – Cena II: Volúmnia

 

Cerimônia

A cerimônia foi invetada para dar brilho aos atos pálidos.

Timão de Atenas

Ato I – Cena II: Timão

 

Céu

Quanto mais belo o céu e mais ele esplende, mais feia é a nuvem que o brilho lhe ofende.

Ricardo II

Ato I – Cena I: Bolingbroke

 

O céu é testemunha.

Otelo

Ato I – Cena I: Iago

 

Chaga

Enquanto a chaga é fresca há esperança de que venha a sarar.

Henrique VI – parte 2

Ato III – Cena I: Mensageiro

 

Chorar

Chorar, depois de salvo, uma desgraça, é chamar outra ainda mais feia e crassa.

Otelo

Ato I – Cena III: Doge

 

Chuva

As chuvas finas duram muito, mas são curtas as grandes tempestades.

Ricardo II

Ato II – Cena I: Gaunt

 

Cicatriz

Só ri das cicatrizes quem ferida nunca sofreu no corpo.

Romeu e Julieta

Ato II – Cena II: Romeu

 

Quem mostra por jactância as próprias cicatrizes merecer ser alvo de galhofa.

Troilo e Cressida

Ato IV – Cena V: Troilo

 

Ciúme

O ciúme é um monstro de olhos verdes, que zomba do alimento de que vive.

Otelo

Ato III – Cena III: Iago

 

As ninharias leves como o ar, para quem tem ciúmes, são verdades tão firmes como trechos da Sagrada Escritura.

Otelo

Ato III – Cena III: Iago

 

Os ciumentos não precisam de causa para o ciúme: têm ciúme, nada mais. O ciúme é monstro que se gera em si mesmo e de si nasce.

Otelo

Ato III – Cena IV: Emília

 

Clemência

A clemência deixa mais atrevido o crime.

Timão de Atenas

Ato III – Cena V: Primeiro Senador

 

Cólera

A cólera também tem privilégios.

Rei Lear

Ato II – Cena II: Kent

 

Meu alimento é a cólera; seio a mim mesma; e assim morro de fome, de tanto me fartar.

Coriolano

Ato IV – Cena II: Volúmnia

 

Companhia

A sabedoria e a ignorância se transmitem como doenças; dai a necessidade de se saber escolher as companhias.

Henrique IV – Parte 2

Ato V – Cena I: Falstaff

 

Compensação

O semelhante só pelo semelhante é compensado.

Medida por medida

Ato V – Cena I: Duque

 

Compostura

Quem não sabe mudar de compostura, quando intenta enganar?

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Rainha Margarida

 

O sangue moço nunca faz loucura como o velho que perde a compostura.

Trabalhos de amor perdidos

Ato V – Cena II: Rosalina

 

Concisão

A concisão é a alma do espírito.

Hamlet

Ato II – Cena II: Polônio

 

Confissão

A confissão por enigmas não chega à absolvição.

Romeu e Julieta

Ato II – Cena III: Frei Lourenço

 

Consciência

Consciência é uma palavra que os covardes empregam, inventada para infundir temor nos homens fortes.

Ricardo III

Ato V – Cena III: Rei Ricardo

 

Ó, consciência, tens mais duras algemas do que quantas os meléolos e os punhos me comprimem

Cimbelino

Ato V – Cena IV: Póstumo

 

Conselho

Não me aconselhes. Minhas desgraças gritam mais alto do que o teu fraseado.

Muito barulho por nada

Ato V – Cena I: Leonato

 

Não faças como alguns desses pastores que aconselham aos outros o caminho do céu, cheio de abrolhos, enquanto eles seguem ledos a estrada dos prazeres, sem dos próprios conselhos se lembrarem.

Hamlet

Ato I – Cena III: Ofélia

 

Os bons conselheiros sempre têm clientes.

Medida por medida

Ato I – Cena II: Pompeu

 

Conselhos, ou de açúcar ou de fel, são sempre ambíguos como hidromel.

Otelo

Ato I – Cena III: Brabâncio

 

Coração

Um coração sem mácula não treme.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Gloster

 

Coração de tigre

Ó, coração de tigre envolto em pele de mulher!

Henrique VI – Parte 3

Ato I – Cena IV: York

 

Coragem

Corajoso é quem suporta sabiamente o que de pior a boca humana exala.

Timão de Atenas

Ato III – Cena V: Primeiro Senador

 

Cortesia

Para comer, todos têm suas casas; o tempero melhor em casa alheia é sempre a cortesia.

Macbeth

Ato III – Cena IV: Lady Macbeth

 

Corvo

Os corvos dão comida aos pequeninos enjeitados, enquanto nos ninhos deixam morrer de fome os próprios filhos.

Tito Andrônico

Ato II – Cena III: Lavínia

 

Costume

Os costumes rígidos se curvam diante dos reis.

Henrique V

Ato V – Cena II: Rei Henrique

 

Criado

O bom criado não faz tudo o que manda o amo, só o que for justo.

Cimbelino

Ato V – Cena I: Pótumo

 

Crime

Não é justo vingar nos vivos o erro dos mortos. Não se herda o crime como se herdam terras.

Timão de Atenas

Ato V – Cena IV: Primeiro Senador

 

Crueldade

Preciso ser cruel para ser bom.

Hamlet

Ato III – Cena IV: Hamlet

 

Culpa

O espírito ocultado sempre abriga suspeita. Em cada moita o ladrão pensa que se esconde um soldado.

Henrique VI – Parte 3

Ato V – Cena VI: Gloster

 

Há momentos em que os homens são donos de seus fados. Não é dos astros (…) a culpa, mas de nós mesmos, se nos rebaixamos ao papel de instrumentos.

Júlio César

Ato I – Cena II: Cássio

 

Esta é a maravilhosa tolice do mundo: quando as coisas não nos correm bem – muitas vezes por culpa de nossos próprios excessos -, pomos a culpa de nossos desastres no sol, na lua e nas estrelas, como se fôssemos celerados por necessidade, todos por compulsão celeste, velhacos, ladrões e traidores pelo predomínio das esferas; bêbados, mentirosos e adúlteros, pela obediência forçosa a influências planetárias, sendo toda a nossa ruindade atribuída à influência divina… Ótima escapatória para o homem, esse mestre da devassidão, responsabilizar as estrelas pela sua natureza de bode.

Rei Lear

Ato I – Cena II: Edmundo

 

Cupido

Esse chorão de cueiros, rabujento, menino-velho, míope, anão-gigante, Dom Cupido, regente dos sonetos amorosos, senhor de mãos vazias, ungido soberano dos suspiros e gemidos, de todos os madraços e descontentes, príncipe temido das saias, rei de todas as braguilhas, único imperador, grande caudilho dos meirinhos vagantes.

Trabalhos de amor perdidos

Ato III – Cena I: Biron

 

Esse bastardo de Vênus tão maroto, gerado do pensamento, concebido pela melancolia e nascido da loucura, esse mesmo rapazinho tratanto e cego, que engana os olhos de toda a gente por haver perdido os seus.

Como gostais

Ato IV – Cena I: Rosalinda

 

Defeito

Felizes dos que ouvem enumerar seus defeitos e assim podem corrigir-se.

Muito barulho por nada

Ato II – Cena III: Benedito

 

Demora

Demora não é recusa.

Antônio e Cleópatra

Ato II – Cena I: Menécrates

 

Descontentamento

Nada pode haver mais mesquinho e miserável do que o descontentamento.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Rei Henrique

 

Desgraça

Desgraça, estás de pé; agora toma o rumo que bem te parecer.

Júlio César

Ato III – Cena II: Antônio

 

Uma desgraça nunca vem sozinha.

Péricles

Ato I – Cena IV: Cleão

 

Deus

Deus se revela grande nas criaturas.

Henrique VI – Parte 2

Ato II – Cena I: Rei Henrique

 

O que para os meninos são moscas, somos nós para os deuses: matam-nos brincando.

Rei Lear

Ato IV – Cena I: Gloster

 

Dever

Quando o pobre dever nada consegue, busca o nobre respeito unicamente a intenção, não o mérito.

Sonho de uma noite de verão

Ato V – Cena I: Teseu

 

Dever Ser

As coisas devem ser o que podem ser.

Péricles

Ato II – Cena I: Primeiro pescador

 

Dinamarca

Há algo de podre no reino da Dinamarca.

Hamlet

Ato I – Cena IV: Hamlet

 

Dinheiro

Só os mendigos conseguem contar quanto dinheiro têm.

Romeu e Julieta

Ato II  – Cena VI: Julieta

 

O dinheiro é um bom soldado: avança sempre.

As alegres comadres de Windsor

Ato II – Cena II: Falstaff

 

Direito

Quem tem mais direito de falar com liberdade do que quem não tem casa para enfiar a cabeça?

Timão de Atenas

Ato III – Cena IV: Segundo criado de Varro

 

Temos esse direito; mas é um direito que não temos o direito de exercer.

Coriolano

Ato II – Cena III: Terceiro cidadão

 

Discurso

Não se compraz um coração turbado com discursos longos.

Trabalhos de amor perdidos

Ato V – Cena II: Princesa

 

Disposição

Vazias as veias, nosso sangue se arrefece, indispostos ficamos desde cedo, incapazes de dar e de perdoar. Mas quando enchemos os canais e as calhas de nosso sangue com comida e vinho, fica a alma muito mais maleável do que durante esses jejuns de padre.

Coriolano

Ato V – Cena I: Menênio

 

Dívidas

Quem morre salda as dívidas.

A tempestade

Ato III – Cena II: Estéfano

 

Doçura

Quando a doçura e a crueldade disputam um reino, ganho o jogador mais brando.

Henrique V

Ato III – Cena VI: Rei Henrique

 

Doença

Quando a doença maior penetra, as outras não se sentem.

Rei Lear

Ato III – Cena IV: Lear

 

Dor

Incêndio a incêndio cura. Uma dor faz minguar a mais antiga.

Romeu e Julieta

Ato I – Cena II: Benvólio

 

Alguma dor é indício de amizade, mas muito choro significa pouco espírito.

Romeu e Julieta

Ato III – Cena V: Senhora Capuleto

 

Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.

Muito barulho por nada

Ato III – Cena II: Benedito

 

Dor de Dente

Nunca existiu filósofo que tenha suportado a dor de dente.

Muito barulho por nada

Ato V – Cena I: Leonato

 

Quem dorme não sente dor de dente.

Cimbelino

Ato V – Cena IV: Primeiro carcereiro

 

Dúvida

A dúvida modesta é a luz do sábio.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena II: Heitor

 

Não passam de traidoras nossas dúvidas, que às vezes nos privam do que seria nosso se não tivéssemos o receio de tentar.

Medida por medida

Ato I – Cena IV: Lúcio

 

Eco

Como a voz do eco, o rumor sempre duplica as coisas que se temem.

Henrique IV – Parte 2

Ato III – Cena I: Warwick

 

Egoísmo

O egoísmo domina a caridade.

Timão de Atenas

Ato III – Cena II: Primeiro estrangeiro

 

Elefante

O elefante tem juntas, mas não para cortesias; suas pernas são para deixa-lo em pé, não para se dobrarem.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena III: Ulisses

 

Elogio

Somos obrigados a elogiar-nos quando por perto não há pessoa amiga.

Tito Andronico

Ato V – Cena III: Lúcio

 

Quem quer que se elogie, a não ser pelos próprios atos, destrói os atos com o elogio.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena III: Agamémnone

 

Emprestar

Não emprestes nem peças emprestado: emprestar é perder dinheiro e amigo, e o oposto embota o fio à economia.

Hamlet

Ato I – Cena III: Polônio

 

Enganar

Para o mundo enganardes, a aparência tomai do mundo.

Macbeth

Ato I – Cena V: Lady Macbeth

 

Ensinar

É-me mais fácil ensinar a vinte pessoas como devem comportar-se do que ser uma das vinte e seguir minha própria doutrina.

O mercador de Veneza

Ato I – Cena II: Pórcia

 

Entusiasmo

Quem sai de um banquete com o apetite que, ao sentar-se, tinha? (…) Sempre pomos mais entusiasmo no alcançar as coisas do que em gozá-las.

O mercador de Veneza

Ato II – Cena VI: Graciano

 

Esbanjador

Sabes de algum esbanjador que tenho sido amado depois de ter perdido tudo o que possuía?

Timão de Atenas

Ato IV – Cena III: Apemanto

 

Escolha

Entre maças podres não há o que escolher.

A megera domada

Ato I – Cena I: Hortênsio

 

Escravo

O escravo tem nas mãos os meios de cancelar seu cativeiro.

Júlio César

Ato I – Cena III: Casca

 

Esperança

Quem tem vida sempre espera.

Ricardo III

Ato I – Cena II: Ana

 

Espinheiro

Não é certo que o espinheiro fornece sombra mais amena ao pastor que contempla as inocentes ovelhas, do que o fazem recamados dosséis aos reis, que de seus próprios súditos a toda hora se temem?

Henrique VI – Parte 3

Ato II – Cena V: Rei Henrique

 

Espírito

É o espírito que deixa o corpo rico.

A megera domada

Ato IV – Cena III: Petrucchio

 

Cansa depressa o espírito ligeiro.

Trabalhos de amor perdidos

Ato II – Cena I: Biron

 

Não há torre de pedra ou muralha de aço duro, nem calabouço infecto ou fortes elos que possam resistir à força do espírito.

Júlio César

Ato I – Cena III: Cássio

 

Espora

Quem faz uso imoderado da espora, termina por matar a montaria.

Ricardo II

Ato II – Cena I: Gaunt

 

Esposa

As queixas venenosas de uma esposa ciumenta são de efeito mais nocivo do que dentada de cachorro louco.

A comédia dos erros

Ato V – Cena I: Abadessa

 

Em toda essa barulheira infernal direi que faço tudo por causa dela. (…) Essa é a maneira de matar com carícias uma esposa.

A megera domada

Ato IV – Cena I: Petrucchio

 

Estado

Há na alma dos Estados um mistério com que jamais ousa meter-se a história.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena III: Ulisses

 

Estima

A estima sempre fala com melhor conhecimento.

Medida por medida

Ato III – Cena II: Duque

 

Estrela

Queres pegar estrelas cintilantes porque no alto as enxergas?

Os dois cavalheiros de Verona

Ato III – Cena I: Duque

 

Excesso

Se na ofensa houve excesso, que não haja na submissão.

As alegres comadres de Windsor

Ato IV – Cena IV: Page

 

Exílio

O exílio é aqui, e longe, a liberdade.

Rei Lear

Ato I – Cena I: Kent

 

Experiência

Ninguém poderá jamais aperfeiçoar-se, se não tiver o mundo como mestre. A experiência se adquire na prática.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena III: Antônio

 

Fala

Sua fala é um banquete fantástico em que abundam os pratos esquisitos.

Muito barulho por nada

Ato II – Cena III: Benedito

 

Falador

Antes ser censurado por calado do que por falador.

Bem está o que bem acaba

 

Faltas

Poucos gostam de ouvir falar nas faltas que com prazer praticam.

Péricles

Ato I – Cena I: Péricles

 

Fatos

Os homens interpretam os fatos conforme bem entendem, sem dar crédito aos fins dos próprios fatos.

Júlio César

Ato I – Cena III: Cícero

 

Felicidade

O silencia é o mais eloquente arauto da alegria. Pequena seria a minha felicidade, se eu pudesse dizer quanto ela é grande.

Muito barulho por nada

Ato II – Cena I: Cláudio

 

Como é amargoso contemplar a felicidade através dos olhos dos outros.

Como gostais

Ato V – Cena II: Orlando

 

Nossas vidas não contêm um minuto, um só, que deve passar sem nos deixar qualquer ventura.

Antônio e Cleópatra

Ato I – Cena I: Antônio

 

Deixa-me durante vinte anos na ilusão de que é assim mesmo. Toda a razão do mundo vale menos do que a ventura de uma tal insânia.

Conto de inverno

Ato V – Cena III: Leontes

 

Feriado

Se o ano todo fosse de feriados, o lazer, como o trabalho, entediaria.

Henrique IV – Parte 1

Ato I – Cena II: Príncipe

 

Ferro

Malha o ferro enquanto é tempo, do contrário esfria.

Henrique VI – Parte 3

Ato V – Cena I: Gloster

 

Dobra-se o ferro enquanto ele está quente.

Macbeth

Ato V – Cena I: Macbeth

 

Batamos com força, enquanto o ferro está vermelho.

Henrique VIII

Ato V – Cena I: Velha dama

 

Fidelidade

Sê fiel a ti próprio: segue-se disso, como o dia à noite, que a ninguém serás falso jamais.

Hamlet

Ato I – Cena III: Polônio

 

Querer ser fiel a um louco é deixar louco o próprio dever.

Antônio e Cleópatra

Ato III – Cena XI: Enobarbo

 

Quem consegue manter-me fiel a um senhor vencido, vence o vencedor.

Antônio e Cleópatra

Ato III – Cena XI: Enobarbo

 

Filhos

Ó, filho estupendo, que chega a causar assombro à própria mãe!

Hamlet

Ato III – Cena II: Hamlet

 

Quando os pais só vestem trapos, os filhos nem querem vê-los; quando são ricos e guapos, são para eles só desvelos.

Rei Lear

Ato II – Cena IV: Bobo

 

Filosofia

Há mais coisas entre o céu e a terra, Horácio (…) do que sonha nossa vã filosofia.

Hamlet

Ato I – Cena V: Hamlet

 

Fim

É sempre bom tudo que acaba bem, o fim coroa a obra.

Bem está o que bem acaba

Ato IV – Cena IV: Helena

 

Sendo o fim doce, que importa que o começo amargo fosse?

Bem está o que bem acaba

Ato V – Cena III: Rei

 

Fogo

Fogo pequeno é fácil de apagar, mas, com o tempo, nem risos sufocam.

Henrique VI – Parte 3

Ato IV – Cena VIII: Clarence

 

Mandaram-me na frente para fazer fogo, vindo eles atrás, para se esquecerem.

A megera domada

Ato IV – Cena I: Grúmio

 

O fogo oculto lavra com mais força.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena II: Luceta

 

Fugi do fogo para não me queimar e fui cair no mar, onde me afogo.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena III: Proteu

 

Quem deseja fazer depressa uma fogueira deve começar pelos gravetos.

Júlio César

Ato I – Cena III: Casca

 

Folguedo

Que entre folguedos e risadas as velhas rugas cheguem. Prefiro o fígado aquecer com vinho, a esfriar o peito com gemidos lúgubres. Se temos o sangue quente, porque causa deveremos ficar imóveis como nossos antepassados de alabastro?

O mercador de Veneza

Ato I – Cena I: Graciano

 

Forca

Uma boa forca livra de um mau casamento.

Noite de reis

Ato I – Cena V: Bobo

 

Deixai de andar pendurado em minha pessoa. Não sou forca.

As alegres comadres de Windsor

Ato II – Cena II: Falstaff

 

Quanta caridade se contém numa corda barata! Liquida uma conta de milhões num abrir e fechar de olhos; é o melhor dever e haver que se conhece; fornece-nos a nota de saldo do passado, do presente e do futuro. No pescoço, senhor, trazeis a pena, o livro e o contador: pronto, foi dada a quitação.

Cimbelino

Ato V – Cena IV: Primeiro carcereiro

 

Frase

Para um engenho agudo, uma frase não passa de luva de pele de cabrito: com que facilidade podemos deixá-la do avesso!

Noite de reis

Ato III – Cena I: Bobo

 

Quantos espinhos nessas frases brandas!

Bem está o que bem acaba

Ato III – Cena IV: Condessa

 

Fraude

É sempre boa a fraude para apanhar quem é vezeiro em fraude.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Suffolk

 

Fruto

O mais mirrado fruto cai da árvore primeiro.

O mercador de Veneza

Ato IV – Cena I: Antônio

 

Fúria

Ficar enfurecido é revelar-se assombrado de medo.

Antônio e Cleópatra

Ato III – Cena XI: Enobarbo

 

Gênio

Gênio vivo emurchece em pouca idade.

Trabalhos de amor perdidos

Ato II – Cena I: Princesa

 

Gentileza

A gentileza à mesa é hóspede eloquente.

A comédia dos erros

Ato III – Cena I: Baltasar

 

Geração

Não gera o corvo a cotovia.

Tito Andronico

Ato II – Cena III: Lavínia

 

Quando o touro e a vaca são cor de leite, nunca o bezerrinho sai como carvão.

Tito Andronico

Ato V – Cena I: Segundo godo

 

Covardes descendem de covardes; seres vis só seres vis engendram.

Cimbelino

Ato IV – Cena II: Belário

 

Glória

A glória é como um círculo sobre a água, que aumenta sempre mais, até que a força de se alargar, termina em coisa alguma.

Henrique VI – Parte 1

Ato I – Cena II: Joana

 

Gordura

Ventre grande é sinal de espírito oco; quando a gordura é muita, o senso é pouco.

Trabalhos de amor perdidos

Ato I – Cena I: Longaville

 

Governo

A marcha do mal sempre é sem termo quando dele participa o governo.

Medida por medida

Ato IV – Cena II: Duque

 

Gritar

Quem perde tem direito de gritar.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Rainha Margarida

 

Guerra

As lidas da guerra são só canseiras que parecem buscar perigos em nome da glória, mas esta fenece no esforço da procura e o que não raro se alcança é um epitáfio injurioso como recordação de um grande feito.

Cimbelino

Ato III – Cena III: Belário

 

Habilidade

É sinal certo de grande habilidade pôr a gente defeito em seus talentos.

Muito barulho por nada

Ato II – Cena III: Dom Pedro

 

Hábito

A quebra de certos hábitos honra mais do que sua observância.

Hamlet

Ato I – Cena IV: Hamlet

 

Hábito, esse demônio que devora todos os sentimentos…

Hamlet

Ato III – Cena IV: Hamlet

 

Um hábito alterar, é alterar tudo.

Cimbelino

Ato IV – Cena II: Imogênia

 

Harmonia

Como dorme tranquilo o luar no banco! Sentemo-nos aqui e consintamos que nos ouvidos nos penetre a música. O tranquilo silêncio e a noite ervem para realçar uma harmonia amena (…) Na alma imortal essa harmonia existe. Mas enquanto estas vestes transitórias de argila a envolvem muito intimamente, não podemos ouvi-la.

O mercador de Veneza

Ato V – Cena I: Lourenço

 

Heresia

Assim como a mais violenta indigestão nos vem dos doces que mais gratos são, com maior fereza odeia as heresias quem já delas se viu presa.

Sonho de uma noite de verão

Ato II – Cena II: Lisandro

 

Hierarquia

Quando abalada a hierarquia, que é a escada para os altos planos, periclita a obra toda.

Troilo e Cressida

Ato I – Cena III: Ulisses

 

Tirai a hierarquia (…) e vede a grande discórdia que se segue.

Troilo e Cressida

Ato I – Cena III: Ulisses

 

Homem

Os homens se mostram mais alegres (…) longe de seus lares.

Henrique V

Ato I – Cena II Rei Henrique

 

Que é o homem, se sua máxima ocupação e o bem maior não passam de comer e dormir?

Hamlet

Ato IV – Cena IV: Hamlet

 

Os homens nunca esperam.

Troilo e Cressida

Ato IV – Cena II: Cressida

 

Os homens deveriam ser somente o que parecem

Otelo

Ato III – Cena III: Iago

 

Oh! Esses homens! Esses homens!

Otelo

Ato IV – Cena III: Desdêmona

 

Ouso fazer tudo o que faz um homem; quem fizer mais é que deixou de sê-lo.

Macbeth

Ato I – Cena VII: Macbeth

 

Poderíeis ter sido inteiramente o homem que sois, sem tanto empenho em sê-lo.

Coriolano

Ato III – Cena II: Volúmnia

 

Ventos, chuva, trovões, lembrai-vos de que o homem terreno é apenas uma substância que sempre vencereis.

Péricles

Ato II – Cena I: Péricles

 

Como os homens são belos! Admirável mundo novo que tem tais habitantes.

A tempestade

Ato V – Cena I: Miranda

 

Honestidade

Do jeito em que o mundo anda, ser honesto é a ser escolhido entre dez mil.

Hamlet

Ato II – Cena II: Hamlet

 

Honra

Que é honra? Uma palavra. Que há nessa palavra, honra? Vento, apenas.

Henrique IV – Parte 1

Ato V – Cena I: Falstaff

 

Quem da bolsa me priva, rouba-me uma ninharia; é qualquer coisa, nada; pertenceu-me, é dele, escravo foi de mil pessoas. Mas quem do nome honrado me espolia, me priva de algo que não enriquece, mas me deixa paupérrimo.

Otelo

Ato III – Cena III: Iago

 

Quantos perderam a honra para que a carcaça pudessem pôr a salvo.

Cimbelino

Ato V – Cena III: Póstumo

 

Hóspede

Hóspede oferecido (…) só é bem-vindo quando se despede.

Henrique Vi – Parte 1

Ato III – Cena II: Bedford

 

Humildade

Tendo provado nossa força, vamos mostrar mais humildade durane após o feito do que durante a ação.

Coriolano

Ato IV – Cena II: Bruto

 

Idade

Não sou tão jovem (…) para amar uma mulher por causa de seu canto, nem tão velho para me apaixonar por ela sem motivo.

Rei Lear

Ato I – Cena IV: Kent

 

Ideia

Suas ideias rezoáveis são como dois grãos de trigo perdidos em dois alqueires de palha: gastais um dia inteiro para encontrá-los, mas, uma vez achados, não compensam o trabalho.

O mercador de Veneza

Ato I – Cena I: Bassânio

 

Idolatria

É toda idolatria tornar o culto mais solene do que o próprio deus.

Troilo e Cressilda

Ato II – Cena II: Heitor

 

Ilusão

Ó, ilusão, deixa em paz os meus sentimentos.

Noite de reis

Ato III – Cena IV: Viola

 

Imaginação

A imaginação do que é agradável torna mais doloroso o sentimento do que nos causa dor.

Rei Ricardo II

Ato I – Cena III: Bolingbroke

 

Os amantes e os loucos são de cérebro tão quente, neles a fantasia é tão criadora, que enxergam o que o frio entendimento jamais pode entender. O namorado, o lunático e o poeta são compostos só de imaginação.

Sonho de uma noite de verão

Ato V – Cena I: Teseu

 

Impaciência

A impaciência só fica bem para um cachorro louco.

Antônio e Cleópatra

Ato IV – Cena I: Slender

 

Impossível

Não creis impossível o que apenas improvável parece.

Medida por medida

Ato V – Cena I: Isabela

 

Impudidícia

Que rédeas podem deter a licenciosa impudicícia, quando montanha abaixo se despenha?

Rei Henrique V

Ato III – Cena III: Rei Henrique

 

Inglaterra

A Inglaterra nada tem a temer se sempre for fiel a si mesma.

Henrique VI Parte 3

Ato IV – Cena I: Hastings

 

Ingleses

Não dão os ingleses um ceitil para auxiliar um aleijado, mas darão dez para ver um índio morto.

A tempestade

Ato II – Cena II: Trínculo

 

Ingratidão

Sopra, sopra, vento frio, pois não causas calafrio como a humana ingratidão.

Como gostais

Ato II – Cena VII: Amiens

 

Ingratidão, demônio de coração de mármore…

Rei Lear

Ato I – Cena IV: Lear

 

Monstruoso é o homem quando assume a forma da ingratidão.

Timão de Atenas

Ato III – Cena II: Primeiro estrangeiro

 

Inimigo

Sede sensato, não deixando quente demais a fornalha do inimigo, para que não venhais a cair nela.

Rei Henrique VIII

Ato I – Cena I: Norfolk

 

Iniquidade

Uns sobem pelos crimes, outros caem pela virtude. Alguns impunemente vivem sempre, nos vícios atolados, outros por uma falta são julgados.

Medida por medida

Ato II – Cena I: Escalo

 

Inocência

Muitas vezes o silêncio da cândida inocência persuade onde os discursos fracassam.

Conto de inverno

Ato II – Cena II: Paulina

 

Intemperança

Do mesmo modo que o comer à farta longo jejum engendra, a intemperança nos prazeres nos tolhe a liberdade.

Medida por medida

Ato I – Cena II: Cláudio

 

Intensão

É bem frequente não cumprirmos a jura mais ardente. Da memória a intensão é simples serva.

Hamlet

Ato III – Cena I: O rei da peça

 

Interesse

Interesse, esse alcaiote tecedor de intrigas…

Vida e morte do Rei João

Ato II – Cena I: O Bastardo

 

Irritação

É próprio da natureza humana irritar-se por coisas despiciendas, quando se ocupa com razões de peso.

Otelo

Ato III – Cena IV: Desdêmona

 

João-Bobo

Um homem inteligente pode transformar-se num joão-bobo, quando não sabe valer-se de seus recursos naturais.

As alegres comadres de Windsor

Ato V – Cena V: Falstaff

 

Julgar

Não julgueis, somos todos pecadores.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena III: Rei Henrique

 

Juízes

Quando os juízes roubam, têm licença de roubar os ladrões.

Medida por medida

Ato II – Cena II: Ângelo

 

Juízo

Quando a velhice entra, o juízo sai.

Muito barulho por nada

Ato III – Cena V: Dogberry

 

Ouve opiniões, mas forma juízo próprio.

Hamlet

Ato I – Cena III: Polônio

 

O juízo dos homens é uma parte diminua de sua sorte.

Antônio e Cleópatra

Ato III – Cena XI: Enobardo

 

Juramento

Não vê desonra no ato de ser infiel aos juramentos quem, proferindo-os, os confia aos ventos.

Trabalhos de amor perdidos

Ato V – Cena II: Princesa

 

Não podeis considerar como recusa de minha parte o que por juramento me vejo obrigado a recusar-vos.

Coriolano

Ato V – Cena III: Coriolano

 

Os mais fortes juramentos são palha para o fogo dos sentidos.

A tempestade

Ato IV – Cena I: Próspero

 

Justiça

Só o que é visto é que cai sob a alçada da Justiça.

Medida por medida

Ato II – Cena I: Ângelo

 

Nem sempre a justiça de uma causa sentença favorável assegura.

Henrique VIII

Ato V – Cena I: Rei Henrique

 

Lábio

Não ensines aos lábios o desprezo, eles foram feitos para os beijos.

Ricardo III

Ato I – Cena II: Gloster

 

Lábios, fazei cessar o amargo verbo, pondo fim à linguagem.

Timão de Atenas

Ato V – Cena I: Timão

 

Lama

A corrente mais limpa não se acha tão isenta de lama.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Gloster

 

Leão

Ninguém liga ao rosnado de cãezinhos, mas até mesmo os homens corajoso, ao rugido do leão, tremem de susto.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Rainha Margarida

 

Se tantos asnos falam, por que um leão não há de poder fazer a mesma coisa?

Sonho de uma noite de verão

Ato V – Cena I: Demétrio

 

Lei

Quando não pode a lei fazer justiça, é legal impedir que seja injusta.

Rei João

Ato III – Cena I: Constança

 

Leis para todas as faltas, mas as faltas de tal modo seguras, que os mais fortes estatutos se assemelham a avisos pendurados nas tendas dos barbeiros.

Medida por medida

Ato V – Cena I: Duque

 

Foi uma rebelião que os elegeu, quando a coação é lei, não o direito.

Coriolano

Ato III – Cena I: Coriolano

 

Licensiosidade

A licenciosidade é tirania da própria natureza, que muitos tronos felizes já deixou vazios antes do tempo.

Macbeth

Ato IV – Cena III: Macduff

 

Limite

Não há nada sob a vista do céu que não se mova num limite restrito.

A comédia dos erros

Ato II – Cena I: Luciana

 

Loucura

Os loucos não possuem orelhas.

Romeu e Julieta

Ato III – Cena III: Frei Lourenço

 

Usa a loucura como disfarce de caçador, para disparar por trás dela os tiros de seu engenho.

Como gostais

Ato V – Cena IV: Duque sênior

 

É sempre ousada a loucura dos grandes não vigiada.

Hamlet

Ato III – Cena I: Polônio

 

Luar

Procurai o luar! Procurai o luar!

Sonho de uma noite de verão

Ato III – Cena I: Bottom

 

Lucro

Lastimai a vida que levais, que isso despertará a compaixão dos amantes; mui raramente essa compaixão deixará de levá-los a fazer um bom conceito de vós, e de redundar esse conceito em lucro material.

Péricles

Ato IV – Cena II: Alcoviteira

 

Luto

Mostrar tão grande obstinação no luto é dar indícios de teima e impiedade; é a dor dos fracos; revela (…) coração débil, mente anarquizada, inteligência pobre e sem cultivo.

Hamlet

Ato I – Cena II: Rei

 

Luxúria

Se a virtude é firme, ainda que o vício sob a forma do céu vá cortejá-la, a luxúria, conquanto a um anjo presa num leito celestial, logo se enfara.

Hamlet

Ato I – Cena V: Espectro

 

Má ação

As ações más, embora a terra as cubra, não se subtraem aos olhos dos mortais.

Hamlet

Ato I – Cena II: Hamlet

 

Machadinha

À ação de muitos golpes de uma machadinha, o mais possante carvalho oscila e acaba vindo ao chão.

Henrique VI – Parte 3

Ato II – Cena I: Mensageiro

 

Majestade

A majestade nunca morre sozinha; qual voragem, suga quanto está perto; é roda gigantesca que nos raios contém dez mil coisinhas encaixadas, e cuja queda implica a ruína fragorosa das menores peças que se lhe prendem. O gemido do rei sempre é geral, sempre é alarido.

Hamlet

Ato III – Cena III: Rosencrantz

 

Mal

No mal há sempre uma alma de bondade, que os homens, se atenção lhe prestassem, poderiam destilar.

Henrique V

Ato IV – Cena I: Rei Henrique

 

A persistência no mal não o atenua, agrava-o sempre.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena II: Heitor

 

Maldade

Para negócio assim, que é só maldade, qualquer traição é honestidade.

As alegres comadres de Windsor

Ato V – Cena III: Senhora Page

 

Maldição

As maldições nunca passam dos lábios que as proferem.

Ricardo III

Ato I – Cena III: Buckingham

 

Malícia

O tempo há de mostrar quem tem malícia.

Rei Lear

Ato I – Cena I: Cordélia

 

Mal Transitório

Uso nenhum fareis dos sãos princípios que vos são caros, se atenção prestardes nos males transitórios.

Júlio César

Ato IV – Cena III: Cássio

 

Mandar

Quem não sabe mandar deve aprender a ser mandado.

Henrique VI – Parte 2

Ato V – Cena I: York

 

Mão

As mãos que trabalham pouco são mais sensíveis.

Hamlet

Ato V – Cena I: Hamlet

 

Mar Sereno

Em mar sereno todos os navios são bons veleiros.

Coriolano

Ato IV – Cena I: Coriolano

 

Marido

Silenciai os maridos que não podem fazer calar uma esposa e escassamente vos sobrará um súdito.

Conto do inverno

Ato II – Cena III: Antígono

 

Os maridos é que são culpados da queda das esposas. Logo afrouxam de seus deveres, em regaço estranho derramando nossos bens, ou explodem em ciúme impertinente, ou nos impõem peias de todo gênero, ou nos batem, fazendo pouco do que antes éramos. Ora, nós temos fel; e ainda que boas, podemos nos vingar.

Otelo

Ato IV – Cena III: Emília

 

Má Vontade

A má vontade não elogia.

Henrique V

Ato III – Cena VII: Orleans

 

Medicina

Para um caso tão estranho deve ser também rara a medicina.

Muito barulho por nada

Ato IV – Cena I: Monge

 

Às vezes está em nós a medicina que em vão ao céu pedimos.

Bem está o que bem acaba

Ato I – Cena I: Helena

 

Amarga medicina é a derradeira.

Péricles

Ato I – Cena I: Péricles

 

Medo

Das paixões ínfimas, o medo é a mais maldita.

Henrique VI – Parte 1

Ato V – Cena II: Joana

 

Quem receia algo que conhecer lhe infunde medo, lê nos olhos dos outros, por instino, que se deu justamente o que receava.

Henrique VI – Parte 2

Ato I – Cena I: Northumberland

O medo cego, que tem como guia a razão que vê, tem pé mais firme do que a razão cega que tropeça sem medo.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena II: Cressida

 

Muitas vezes o medo do pior é a cura do pior.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena II: Cressida

 

Mel

O mel mais delicioso é repugnante por sua própria delícia.

Romeu e Julieta

Ato II – Cena VI: Frei Lourenço

 

Memória

Os defeitos dos homens são gravados no bronze, as boas qualidades escrevemo-las na água.

Henrique VIII

Ato IV – Cena II: Griffith

 

Mentira

Já houve livro de matéria tão vil que fosse encadernado com tanto esmero? Oh! Que a mentira tenha morada num palácio desses!

Romeu e Julieta

Ato III – Cena II: Julieta

 

Quão sujeitos estamos os velhos ao vício da mentira!

Henrique IV – Parte 2

Ato III – Cena II: Falstaff

 

Mérito

Se fosseis tratar todas as pessoas de acordo com o merecimento de cada uma, quem escaparia da chibata?

Hamlet

Ato II – Cena II: Hamlet

 

A precedência o mérito é que indica.

Coriolano

Ato I – Cena II: Tito

 

O mérito se recomenda apenas por si próprio.

Péricles

Ato II – Cena III: Simônides

 

Milagre

Já não há milagres. Devemos aceitar as causas naturais das coisas.

Henrique V

Ato I – Cena I: Canturária

 

Tirai dos dados o jogador e dos livros o estudioso…Isso sim é que é um milagre.

As alegres comadres de Windsor

Ato III – Cena I: Shallow

 

Miséria

A miséria folga em ser escarninha de si mesma.

Ricardo II

Ato II – Cena I: Gaunt

 

A miséria os amigos afasta.

Como gostais

Ato II – Cena I: Primeiro nobre

 

Mocidade

Embora a camomila cresça tanto mais rapidamente quanto mais pisada for, a mocidade se consome na medida em que é devastada.

Henrique IV – Parte 1

Ato II – Cena IV: Falstaff

 

Os jovens de temperamento muito sisudo jamais dão coisa que preste; a sobriedade no beber e o excesso de peixe na comida, de tal jeito lhes esfria o sangue, que caem numa espécie de anemia masculina, só gerando filhas depois de casados.

Henrique IV – Parte 2

Ato IV – Cena III:  Falstaff

 

A mocidade vende-se mais vezes do que cede a pedidos ou se empresta.

Noite de reis

Ato III – Cena IV: Olívia

 

Deseja que não houvesse idade entre dezesseis e vinte e três anos, ou que a mocidade dormisse todo esse tempo, que só é ocupado em deixar com filhos as raparigas, aborrecer os velhos, roubar e provocar brigas.

Conto do inverno

Ato III – Cena III: Pastor

 

Modéstia

A modéstia dignifica o nome de alcoviteiro, como confere a muitas marafonas a fama de castidade.

Péricles

Ato IV – Cena VI: Lisímaco

 

Modicidade

A superfluidade chega mais cedo aos cabelos brancos, mas a modicidade vive mais tempo.

O mercador de Veneza

Ato I – Cena II: Nerissa

 

Moeda

Não têm os homens costume de pesar todas as moedas; valem também as leves, pela efígie.

Cimbelino

Ato V – Cena IV: Póstumo

 

Moleiro

Muito mais água passa pelo moinho do que o moleiro pensa.

Tito Andronico

Ato II – Cena I: Demétrio

 

Monge

O hábito não faz o monge.

Henrique VIII

Ato III – Cena I: Rainha Catarina

 

Montanha

Quem escava montes por serem altos, só consegue uma montanha derrubar para outra mais alta edificar.

Péricles

Ato I – Cena IV: Dionisa

 

Quem altos montes galga, de começo progride lentamente.

Henrique VIII

Ato I – Cena I: Norfolk

 

Morangueiro

Cresce melhor o morangueiro embaixo das urtigas.

Henrique V

Ato I – Cena I: Ely

 

Morte

Medonha morte, como tua pintura é feia e repulsiva!

A megera domada

Introdução – Cena I: Nobre

 

Que vamos morrer todos sabemos; o tempo e a sucessão dos dias é que deixam os homens mais aflitos.

Júlio César

Ato III – Cena I: Bruto

 

Morrer… dormir… dormir… talvez sonhar… É aí que bate o ponto. O que nos põe suspensos é não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando por fim desenrolarmos toda a meada mortal. É tal ideia que torna uma verdadeira calamidade a vida assim tão longa!

Hamlet

Ato III – Cena I: Hamlet

 

És simplesmente um joguete da morte, pois só cuidas de evita-la e não fazes outra coisa senão correr para ela.

Medida por medida

Ato III – Cena I: Duque

 

A dor a morte existe só na imaginação; o pobre inseto que esmagamos ao passar sofre tanto no corpo como o mais alto gigante no transe da agonia.

Medida por medida

Ato III – Cena I: Isabela

 

A imagem da morte deve ser como um espelho que nos ensina ser a vida apenas um sopro passageiro.

Péricles

Ato I – Cena I: Péricles

 

A morte, esse inverno…

Henrique VIII

Ato III – Cena II: Wolsey

 

Morto

Para os os mortos não há ferrolho.

Cimbelino

Ato V – Cena IV: Póstumo

 

Movimento

As coisas em movimento atraem mais o olhar do que aquilo que não se mexe.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena III: Ulisses

 

Mulher

Aquilo que muitos homens não alcançam com os recursos da oratória, consegue facilmente a bondade feminina.

Henrique VI – Parte 1

Ato II – Cena II:  Talbot

 

Mulher irritada é como fonte remexida: limbosa, repulsiva, privada de beleza; e assim mantendo-se, não há ninguém, por mais que tenha sede, que se atreva a encostar os lábios nela.

A megera domada

Ato V – Cena II: Catarina

 

As damas dizem “não” por modéstia, na esperança de que o interlocutor em “sim” o mude.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato I – Cena II: Júlia

 

É comum que a mulher se descontente com o que mais aprecia. Não convém desanimar por isso, o desdém de hoje é prenúncio de um amor mais forte.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato III – Cena I: Valentino

 

Com que facilidade os impostores imprimem suas formas insinuantes no coração de cera das mulheres!

Noite de reis

Ato II – Cena II: Viola

 

A mulher deve sempre escolher marido mais idoso do que ela; desse modo se combinam melhor e ela conserva o predomínio no coração do esposo. Porque embora (…) nos elogiemos a nós mesmo, nossas inclinações são menos firmes, mais variáveis, veementes e propensas a se aplacarem do que as das mulheres. (…) Que tua amada seja mais moça do que tu, portanto, ou terás afeição por pouco tempo. As mulheres são rosas: inefável é a floração; a ruína inevitável.

Noite de reis

Ato II – Cena IV: Duque

 

As mulheres que a Fortuna faz bonitas, raramente faz honestas, e as que faz honestas, deixa bem pouco atraentes.

Como gostais

Ato I – Cena II: Célia

 

A honestidade nas mulheres, de par com a beleza, vem a ser mel servindo de molho para o açúcar.

Como gostais

Ato III – Cena III: Toque

 

A mulher que não sabe pôr a culpa no marido por suas próprias faltas não deve amamentar o filho, na certeza de criar um palerma.

Como gostais

Ato IV – Cena I: Rosalinda

 

Leviandade, teu nome é mulher.

Hamlet

Ato I – Cena II: Hamlet

 

Solicitadas, são anjos as mulheres; mas coitadas, depois de ganhas. Fana-se a conquista, perdendo o encanto da primeira vista.

Troilo e Cressida

Ato I – Cena II: Cressida

 

Fora de casa sois pinturas; nos quartos, sinos; santas, quando ofendeis; demônios puros, quando sois ofendidas; chocarreiras no governo da casa e boas donas do lar quando na cama.

Otelo

Ato II – Cena II: Iago

 

A mulher é prato para os deuses, quando não é o demônio que a prepara.

Antônio e Cleópatra

Ato V – Cena II: Bobo

 

A melhor hora para seduzir uma mulher é quando ela briga com o marido.

Coriolano

Ato IV – Cena III: Romano

 

Não há pendor para o vício que na mulher não tenha origem.

Cimbelino

Ato II – Cena V: Póstumo

 

A mulher se ajeita com quem sabe o jeito de apanhá-las.

Cimbelino

Ato IV – Cena I: Cloten

 

Quem sabe dizer o que se passa no íntimo de uma mulher?

Cimbelino

Ato V – Cena V: Cimbelino

 

Mundo

O mundo é uma palavra, simplesmente.

Timão de Atenas

Ato II – Cena II: Flávio

 

Música

A música é a padroeira da celeste harmonia.

A megera domada

Ato III – Cena I: Hortênsio

 

Por que existe música? Não é para aliviar o entendimento depois do estudo e do trabalho diário?

A megera domada

Ato III – Cena I: Lucêncio

 

O homem que música em si mesmo não traz, nem se comove ante a harmonia de agradável toada, é inclinado tão só a traições, e a roubos, e a todo estratagema (…). De um homem assim desconfiai sempre.

O mercador de Veneza

Ato V – Cena I: Lourenço

 

Namorado

Os namorados chegam sempre antes da hora.

O mercador de Veneza

Ato II – Cena VI: Graciano

 

Natureza

(…) embora a natureza às vezes cubra de lousas aprazíveis a carniça;

Noite de reis

Ato I – Cena II: Viola

 

A natureza se depura no amor e, florescendo, empresta à coisa amada algo da essência preciosa de si mesma.

Hamlet

Ato IV – Cena V: Laertes

 

A natureza ensina os animais a conhecer os amigos.

Coriolano

Ato II – Cena I: Sicínio

 

Necessidade

A necessidade leva à quebra dos votos a vestal nunca tocada.

Antônio e Cleópatra

Ato III – Cena X: César

 

A necessidade nos faz acostumar com estranhos companheiros de leito.

A tempestade

Ato II – Cena II: Trínculo

 

Nobreza

As pessoas de baixa extração, quando apaixonadas, revelam mais nobreza do que seria de esperar de sua natureza.

Otelo

Ato II – Cena I: Iago

 

Noivo

Ficou noivo depressa e agora pretende casar-se com vagar.

A megera domada

Ato III – Cena II: Catarina

 

Nome

Que há num simples nome? O que chamamos rosa, com outro nome não teria igual perfume?

Romeu e Julieta

Ato II – Cena II: Julieta

 

O mais puro tesouro, o mais que humano benefício que o tempo nos concede é um nome imaculado (…). À falta dele não passamos de argila com recamos, simples poeira pintada.

Ricardo II

Ato I – Cena I: Mowbray

 

Havia-me esquecido de mim próprio. Não sou rei? Indolente majestade, desperta! Estás dormindo. Não vale o só nome de rei vinte mil nomes? Às armas, nome!

Ricardo II

Ato III – Cena II: Rei Ricardo

 

Nuvem

Nem toda nuvem gera tempestades.

Henrique VI – Parte 3

Ato V – Cena III: Clarence

 

Obra-prima

É uma excelente obra-prima, madame senhora. Quem dera que já tivesse acabado.

A megera domada

Ato I – Cena I: Sly

 

Olho

Nos olhos se concentram a turba dos sentidos.

Trabalhos de amor perdidos

Ato II – Cena I: Boyet

 

Acaso existe no mundo algum autor que, como os olhos da mulher, nos ensine o que é beleza?

Trabalhos de amor perdidos

Ato IV – Cena III: Biron

 

O olho a si mesmo não enxerga, senão pelo reflexo em outra coisa.

Júlio César

Ato I – Cena II: Bruto

 

O decaído mais depressa aprende sua própria condição no olhar dos outros.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena III: Aquiles

 

Muito mais instruído é o olho do ignorante do que o ouvido.

Coriolano

Ato III – Cena II: Volúmnia

 

Opinião Pública

A opinião pública, a mais alta soberana do êxito…

Otelo

Ato I – Cena III: Doge

 

Oportunidade

Os negócios humanos apresentam altas como as do mar: aproveitadas, levam-nos as correntes à fortuna; mas, uma vez perdidas, corre a viagem da vida entre baixios e perigos.

Júlio César

Ato IV – Cena III: Bruto

 

Quem algo almeja, e não o aceita quando oferecido, jamais volta a encontrá-lo.

Antônio e Cleópatra

Ato II – Cena VII: Menos

 

Orador

Todo orador é um parlapatão.

Henrique V

Ato V – Cena II: Rei Henrique

 

Ordem

Nós só ficamos em ordem quando estamos fora de ordem.

Henrique VI – Parte 2

Ato IV – Cena II: Jack Cade

 

Orgulho

As coisas mais mesquinhas enchem de orgulho os indivíduos baixos.

Henrique VI – Parte 2

Ato IV – Cena I: Suffolk

 

Não dispõe o orgulho de outro espelho em que se mire, senão o próprio orgulho.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena III: Ulisses

 

O homem cheio de orgulho, revestido de autoridade mínima (…), qual sanhoso macaco tais momices representa ante o céu, que os próprios anjos choram de vê-lo.

Medida por medida

Ato II – Cena II: Isabela

 

Origem

Se eu sou quem sou, que importa a minha origem?

Rei João

Ato I – Cena I: O Bastardo

 

Ouro

Nem tudo que reluz é ouro.

O mercador de Veneza

Ato II – Cena VII: Marrocos

 

Ó, doce regicida, caro agente do divórcio entre pais e filhos…

Timão de Atenas

Ato IV – Cena III

 

Ouvido

A noite, que da vista tira tudo, deixa o ouvido dez vezes mais agudo.

Sonho de uma noite de verão

Ato III – Cena II: Hérmia

 

Ovelha

A ovelha que não escuta o balido do cordeirinho jamais responderá aos berros do carneiro.

Muito barulho por nada

Ato III – Cena III: Dogberry

 

Pobres almas! Viestes reclamar da raposa as ovelhinhas?

Medida por medida

Ato V – Cena I: Duque

Paciência

Sem ser provada, a paciência dura.

A comédia dos erros

Ato II – Cena I: Adriana

 

Quem tem trigo e que fazer um bolo precisa esperar pelo tempo da moagem.

Troilo e Cressida

Ato I – Cena I: Pândaro

 

Pai

Sábio é o pai que conhece seu próprio filho.

O mercador de Veneza

Ato II – Cena II: Lanceloto

 

Palavra

Quando poucas as palavras, raramente são desperdiçadas.

Ricardo II

Ato II – Cena I: Gaunt

 

Que valham as palavras por espadas até possuirmos armas aceradas.

Ricardo II

Ato III – Cena III: Aumerle

 

Ninguém pode calcular a potência venenosa de uma palavra má num peito amante.

Muito barulho por nada

Ato III – Cena I: Hero

 

Os que sabem jogar com as palavras facilmente as corrompem.

Noite de reis

Ato III – Cena I: Viola

 

Palavras, palavras, palavras…

Hamlet

Ato II – Cena II: Hamlet

 

Palavras não pagam dívidas.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena II: Pândaro

 

Palavras são palavras; pelo ouvido jamais o coração será atingido.

Otelo

Ato I – Cena III: Brabâncio

 

Dai palavras à dor. Quando a tristeza perde a fala, sibila o coração, provocando de pronto uma explosão.

Macbeth

Ato IV – Cena III: Malcolm

 

Palavras não são atos.

Henrique VIII

Ato III – Cena II: Rei Henrique

 

Só palavras nunca trazem grande autoridade.

Henrique VIII

Ato III – Cena II: Wolsey

 

Pato

Almas de pato com feitio de homens!

Coriolano

Ato I – Cena IV: Márcio

 

Paz

A paz é como uma conquista: com nobreza as duas partes se submetem e nenhuma delas perde.

Henrique IV – Parte 2

Ato IV – Cena II: Arcebispo

 

Pela inércia tornada doente, a paz procura alívio em qualquer variação desesperada.

Antônio e Cleópatra

Ato I – Cena III: Antônio

 

A paz só serve para enferrujar o ferro, engordar os alfaiates e aumentar o número dos fazedores de baladas.

Coriolano

Ato IV – Cena V: Segundo criado

 

A paz é uma verdadeira apoplexia, um letargo, obtusa, surda, sonolenta, insensível e é maior geradora de bastardos do que a guerra é destruidora de homens.

Coriolano

Ato IV – Cena V: Primeiro criado

 

Se nosso pé gangrena, deixaremos de estimar seus serviços anteriores?

Coriolano

Ato III – Cena I: Menênio

 

Pecado

Pecado inominável é jurar um pecado, mas pecado ainda maior é procurar mantê-lo.

Henrique VI – Parte 2

Ato V – Cena I: Salisbury

 

Há pecados que desfrutam de certos privilégios.

Vida e morte do Rei João

Ato I – Cena I: O Bastardo

 

Pensamento

Pensamento não paga imposto.

Noite de reis

Ato I – Cena III: Maria

 

Não dês língua aos teus próprios pensamentos, nem corpo aos que não forem convenientes.

Hamlet

Ato I – Cena III: Polônio

 

Perdão

Mais nobre é o perdão que a vingança.

A tempestade

Ato V – Cena I: Próspero

 

Peregrina

Jamais uma peregrina sentiu cansaço para medir reinos com seus passos incertos.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato II – Cena VII: Júlia

 

Perigo

Quem dos perigos foge, tudo ganha.

Henrique VI – Parte 3

Ato IV – Cena VI: Somerset

 

Quando a gente tropeça na soleira, é sinal certo de que o perigo espreita dentro.

Henrique VI – Parte 3

Ato IV – Cena VII: Gloster

 

Perturbações à Mesa

Perturbações à mesa, ou no repouso, o mais cordato ser deixam furioso.

A comédia dos erros

Ato V – Cena I: Abadessa

 

Peru

De tanto contemplar-se, converteu-se em peru.

Noite de reis

Ato II – Cena V: Fabiano

 

Piedade

Há tanta piedade nele quanto leite em tigre macho.

Coriolano

Ato V – Cena IV: Menênio

 

Pilhéria

O êxito da pilhéria depende do ouvido de quem ouve, não da boca que a enuncia.

Trabalhos de amor perdidos

Ato V – Cena II: Rosalina

 

Pintura

Os mortos e os que dormem são pinturas, nada mais.

Macbeth

Ato II – Cena II: Lady Macbeth

 

Pior

Nunca sofremos o pior enquanto podemos dizer: “Isto é o pior de tudo”

Rei Lear

Ato IV – Cena I: Edgar

 

Poder

Ó, poder! Ó, grande! Milhões de olhos falsos em ti se fixam!

Medida por medida

Ato IV – Cena I: Duque

 

Poderes

Sofro até o fundo da alma, quando vejo dois poderes em pé, sem que o primado nenhum alcance, e como facilmente penetra a confusão no espaço entre ambos, vindo, assim, mutuamente a se destruírem.

Coriolano

Ato III – Cena I: Coriolano

 

Poesia

A poesia verdadeira é a mais fingida.

Como gostais

Ato III – Cena III: Toque

 

Poeta

Nenhum poeta deveria escrever sem que, primeiro, a tinta temperasse nos suspiros do amor.

Trabalhos de amor perdidos

Ato IV – Cena III: Biron

 

Pomba

As próprias pombas dão bicadas, quando na defesa do ninho.

Henrique VI – Parte 3

Ato II – Cena II: Clifford

 

Pompa

Que valem a pompa e o reino? Terra e poeira.

Henrique VI – Parte 3

Ato V – Cena II: Warwick

 

Ponte

Por que fazeres mais comprida a ponte do que a largura máxima do rio?

Muito barulho por nada

Ato I – Cena I: Dom Pedro

 

Ponto Pior

As coisas, quando o ponto pior atingem, ou aí param, ou de novo sobem para onde antes estavam.

Macbeth

Ato IV – Cena II: Ross

 

Pontualidade

É melhor chegar três horas mais cedo do que um minuto atrasado.

As alegres comadres de Windsor

Ato II – Cena II: Ford

 

Porco

O porco que mais come é o mais calado.

As alegres comadres de Windsor

Ato IV – Cena II: Senhora Page

 

Porquê

O porquê é tão batido como o caminho que vai ter à igreja.

Como gostais

Ato II – Cena VII: Jaques

 

Porta estreita

Eu sou pela casa de porta estreita, que considero pequena em demasia para que possa entrar a pompa; os que se humilharem passarão.

Bem está o que bem acaba

Ato IV – Cena V: Bobo

 

Potentado

De temer é sempre o potentado, quando se mostra afável e afeiçoado.

Péricles

Ato I – Cena II: Péricles

 

Povo

Vêde como sopro esta pena e do meu rosto a afasto, e depois como o vento a traz de volta. Agora ao meu impulso ela obedece, para obedecer depois a força estranha, sempre do lado do mais forte sopro. Desse modo, leviano, é sempre o povo.

Henrique VI – Parte 3

Ato III – Cena I: Rei Henrique

 

Essa turba sem nome se assemelha aos sargaços que boiam na corrente, sem direção nenhuma, servos sempre da variável maré e que com o próprio movimento se esfazem.

Antônio e Cleópatra

Ato I – Cena IV: César

 

Prazer

Onde não há prazer não há proveito.

A megera domada

Ato I – Cena I: Trânio

 

Mais cedo ou mais tarde, a gente sempre vem a pegar pelo prazer.

Noite de reis

Ato II – Cena IV: Bobo

 

Onde o prazer se exalta a dor se encolhe.

Hamlet

Ato III – Cena II: O rei da peça

 

Precipitação

Essa fúria de pés de tigre, quando perceber os prejuízos da precipitação, há de desejar, tarde demais, ter nos pés libras de chumbo.

Coriolano

Ato III – Cena I: Menênio

 

Preço

Nada vale mais do que o preço que nós próprios damos.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena II: Troilo

 

A dignidade de um objeto e seu preço se regulam não só pelo valor que lhe for próprio, como pelo encômios do entendido.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena II: Heitor

 

É preciso, porém, deixar um pouco mais difícil essa conquista, para que a vitória fácil demais não desmereça o preço.

A tempestade

Ato I – Cena II: Próspero

 

Predicador

Bom predicador é o que segue suas próprias instruções.

O mercador de Veneza

Ato I – Cena II: Pórcia

 

Premência

A premência do tempo ajeita muitas coisas a seus desígnios, decidindo, por vezes, no momento mais grave, o que um processo interminável não pudera fazê-lo.

Trabalhos de amor perdidos

Ato V – Cena II: Rei

 

Príncipe

Triste a sorte de quem depende do favor dos príncipes!

Henrique VIII

Ato III – Cena II: Wolsey

 

Profeta

Na vida dos mortais há sempre um fato que é símbolo dos tempos decorridos. Observando-o, podemos ser profetas, quase sem erro, do volver das coisas não nascidas que ainda se acham entesouradas nos fracos germes e começos.

Henrique IV – Parte 2

Ato III – Cena I: Warwick

 

Prólogo

Seus nadas sempre têm prólogos grandes.

Bem está o que bem acaba

Ato II – Cena I: Rei

 

Propósito

Quando todos os propósitos (…) morrem frustros, tudo passa a ser feito sem propósito.

Coriolano

Ato III – Cena I: Coriolano

 

Prudência

Prudência! Quem mais corre mais tropeça.

Romeu e Julieta

Ato II – Cena III: Frei Lourenço

 

A prudência é a parte melhor do valor.

Henrique IV – Parte 1

Ato V – Cena IV: Falstaff

 

Qualidades

Se nossas qualidades não se expressassem, seria como se não existissem. Todos os adornos de uma bela alma valem tão somente por seus nobres efeitos.

Medida por medida

Ato I – Cena I: Duque

 

Raízes

Dá-me raízes, terra!

Timão de Atenas

Ato IV – Cena III: Timão

 

Rameira

Por que açoitas essa pobre rameira? Vira contra ti próprio essa chibata. Estás ardendo de desejos de com ela realizares o ato por que a castigas.

Rei Lear

Ato IV – Cena VI: Lear

 

Rapaz

Tem ventura fugaz, sempre periga, quem se fia em rapaz ou rapariga.

Cimbelino

Ato V – Cena V: Lúcio

 

Raposa

Não regouga a raposa no momento de roubar o cordeiro.

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena I: Suffolk

 

Por mais dócil, domesticada e presa, a raposa não se esquece dos selvagens ardis da raça.

Henrique IV – Parte 1

Ato V – Cena II: Worcester

 

Razão

A razão foge de tudo que nos pode causar dano.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena II: Troilo

 

Se a balança de nossa vida não dispusesse de um prato de razão para contrabalançar o da sensualidade, o sangue e a baixeza de nossa natureza nos conduziriam às mais absurdas situações.

Otelo

Ato I – Cena III: Iago

 

Reconhecimento

O reconhecimento, para as almas generosas, é nobre recompensa.

Tito Andronico

Ato I – Cena I: Bassiano

 

A boa ação que morre sem encômios mata milhares que esperavam isso.

Conto do inverno

Ato I – Cena II: Hermione

 

Redundância

Estamos acendendo a luz do dia.

As alegres comadres de Windsor

Ato II – Cena I: Senhora Ford

 

Remédio

Da o remédio, então; tendes os meios.

Sonho de uma noite de verão

Ato II – Cena I: Oberon

 

Não desperdiçarei o remédio a não ser com doentes.

Como gostais

Ato III – Cena II: Rosalinda

 

O que não tem remédio remediado está.

Otelo

Ato I – Cena III: Doge

 

O que não tem remédio não deveria nem ser pensado.

Macbeth

Ato III – Cena II: Lady Macbeth

 

Remendo

Tentando por vezes desculpar-se de uma falta, por fim mais grave a tornam, como um remendo posto num pequeno rasgão, que em vez de o mascarar, deixa-o mais à vida do que antes do conserto.

Rei João

Ato IV – Cena II: Pembroke

 

Reputação

A reputação é um apêndice ocioso e enganador, obtido muitas vezes sem merecimento e perdido sem nenhuma culpa.

Otelo

Ato II – Cena III: Iago

 

Riqueza

Ao sumirem as riquezas que compram os louvores, some o sopro que os havia feito. (…) Um dia só de inverno e as moscas morrem.

Timão de Atenas

Ato II – Cena II: Flávio

 

Não sei comprar nossos ricos avarentos com coisa tão imunda que não seja a baleia, que brinca e dá cambalhotas, tocando por diante o pobre cardume de peixinhos, para no fim devorá-los de uma bocada só! Já ouvi falar dessas baleias de terra, que não cessam de abrir a goela para engolir a paróquia, a igreja, a torre, os sinos, tudo.

Péricles

Ato II – Cena I: Primeiro pescador

 

Rito

Que têm os reis a mais de seus vassalos, além do rito, além das cerimônias exteriores? Que vales, rito ocioso? (…) Onde os teus lucros? Tuas rendas? Ó, rito, ao menos mostra-me o teu valor! Em que consiste o culto que te prestam? És mais alguma coisa do que um lugar, um título, uma forma que nos homens infunde espanto e medo?

Henrique V

Ato IV – Cena I: Rei Henrique

 

Rosa

Muito mais feliz na terra é a rosa que destilar se deixa do que quantas no espinho virgem crescem, vivem, morrem em sua solitária beatitude.

Sonho de uma noite de verão

Ato I – Cena I: Teseu

 

Rosto

Não existe arte que ensine a ler no rosto as feições da alma.

Macbeth

Ato I – Cena IV: Duncan

 

O rosto dos homens é sempre honesto, façam as mãos o que fizerem.

Antônio e Cleópatra

Ato II – Cena VI: Menos

 

Roubar

O roubado que ri rouba do ladrão; o que chora, a si rouba outra porção.

Otelo

Ato I – Cena III: Doge

 

Sou-vos grato porque roubais às claras, sem assumirdes aparência santa; o mais vultoso roubo é praticado nas profissões honestas.

Timão de Atenas

Ato IV – Cena III: Timão

 

Roupa

Conforme a bolsa, assim tenhas a roupa: sem fantasia; rica, mas discreta, que o traje às vezes o homem denuncia.

Hamlet

Ato I – Cena III: Polônio

 

Rústico

Assim como aperta o coração ver mal casado um belo rapaz, mata de tristeza ver um rústico sem cornos.

Antônio e Cleópatra

Ato I – Cena II: Iras

 

Sabedoria

A sabedoria grita pelas ruas, mas ninguém lhe dá ouvidos.

Henrique IV – Parte 1

Ato I – Cena II: Príncipe

 

O saber é uma mina de ouro guardada por um demônio.

Henrique IV – Parte 2

Ato IV – Cena III: Falstaff

 

O néscio se julga sábio, mas o sábio se reconhece néscio.

Como gostais

Ato V – Cena I: Toque

 

Não poucas vezes vemos a indigente sabedoria depender em tudo da tolice suntuosa e exuberante.

Bem está o que bem acaba

 

Quando a sabedoria se deprime, é por querer que o brilho próprio aumente, como as máscaras pretas que proclamam a formosura velada dez vezes mais valiosa do que quando descoberta.

Medida por medida

Ato II – Cena IV: Ângelo

 

Sangue

O sangue chama sangue.

Macbeth

Ato III – Cena IV: Macbeth

 

Segredo

Dois guardarão segredo, quando um nada souber de todo o enredo.

Romeu e Julieta

Ato II – Cena IV: Ama

 

Segundo Consórcio

O interesse mesquinho, nunca o amor, do segundo consórcio é o causador.

Hamlet

Ato III – Cena II: A rainha da peça

 

Segurança

É do espinho do perigo que se colhe a flor da segurança.

Henrique IV – Parte 1

Ato II – Cena III: Hotspur

 

Sentença

Melhores seriam as sentenças se fossem postas em prática.

O mercador de Veneza

Ato I – Cena II: Nerissa

 

Só escuta de bom grado uma sentença quem em proveito próprio nela pensa.

Otelo

Ato I – Cena III: Brabâncio

 

Sentimento

Mais rico o sentimento em conteúdo do que em palavras, sente-se orgulhoso com a própria essência, não com os ornamentos.

Romeu e Julieta

Ato II – Cena VI: Julieta

 

Ser

Ser ou não ser… eis a questão.

Hamlet

Ato III – Cena I: Hamlet

 

Ser Grande

O ser grande não é empenhar-se em grandes causas: grande é quem luta até por uma palha, quando a honra está em jogo.

Hamlet

Ato IV – Cena IV: Hamlet

 

Serviço

Serviço não é herança.

Bem está o que bem acaba

Ato I – Cena III: Bobo

 

Muitos serviços de baixa qualidade são levados a cabo com nobreza, e assuntos mínimos, por vezes, podem levar a ricos fins.

A tempestade

Ato III – Cena I: Ferdinando

 

Servidor

Mestres nem todos podem ser, nem todos os mestres podem ter bons servidores. Já tereis visto por aí muitos sujeitos obsequiosos, de flexíveis joelhos que, apaixonados pela própria escravidão, gastam o tempo todo como o asno do amo: só pela comida; e, quando ficam velhos, são despedidos. (…) Outros há que, sabendo revelar a forma externa e as feições próprias do dever, o coração conservam sempre atentos ao proveito pessoal; enquanto aos amos dispensam mostras de serviço, prosperam muito bem, e ao mesmo tempo que os casacos lhes forram, a si próprios prestam boa homenagem.

Otelo

Ato I – Cena I: Iago

 

Silêncio

Pessoas há (…) que a toda hora se retraem num silêncio obstinado, só com o fito de aparentar sabedoria.

O mercador de Veneza

Ato I – Cena I: Graciano

 

O silêncio só é virtude em língua defumada.

O mercador de Veneza

Ato I – Cena I: Graciano

 

O resto é silêncio.

Hamlet

Ato V – Cena II: Hamlet

 

Sinceridade

Digo o que penso, gastando nesse esforço toda a minha maldade.

Coriolano

Ato II – Cena I: Menênio

 

Sofreguidão

Quem come com sofreguidão acaba por se asfixiar com os próprios alimentos.

Ricardo II

Ato II – Cena I: Gaunt

 

Sofrimento

O sofrimento pesa mais onde observa que é levado com mais dificuldade.

Ricardo II

Ato I – Cena III: Gaunt

 

O sofrimento, se excessivo e demorado deixa-nos insensíveis à dor.

Rei João

Ato V – Cena VII: Príncipe Henrique

 

Sol

Com um só olho, pode o sol enxergar o mundo todo.

Henrique VI – Parte 1

Ato I – Cena IV: Talbot

 

Quando o sol brilha, as moscas dançam ledas; quando some, logo elas se escondem.

A comédia dos erros

Ato II – Cena II: Antífolo de Siracusa

 

Porventura o sol se empana quando voa uma mosca?

Tito Andronico

Ato IV – Cena IV: Tamora

 

Se tentarmos lançar olhar agudo ao sol (…), perderemos, por excesso de luz, a luz que temos.

Trabalhos de amor perdidos

Ato V – Cena II: Biron

 

O mesmo sol que brilho sobre sua corte não esconde o rosto de nossa pobre choça e ambas contempla.

Conto do inverno

Ato IV – Cena III: Perdita

 

Solidariedade

Não nos basta ajudar os que precisam; depois, devemos ampará-los.

Timão de Atenas

Ato I – Cena I: Timão

 

Sombra

Vamos, sombra; carrega esta outra sombra.

Os dois cavalheiros de Verona

Ato IV – Cena IV: Júlia

 

Sonambulismo

É indício de grande perturbação da natureza receber os benefício do sono e executar, simultaneamente, os atos da vigília.

Macbeth

Ato V – Cena I: O médico

 

Sonho

Somos feitos da matéria dos sonhos; nossa vida pequenina é cercada pelo sono.

A tempestade

Ato IV – Cena I: Próspero

 

Sono

Quando em falência se acha o sono, menor é a resistência ao peso da tristeza.

Sonho de uma noite de verão

Ato III – Cena II: Demétrio

 

O meigo sono, o sono que desata a emaranhada teia dos cuidados, que é o sepulcro da vida cotidiana, banho das lides dolorosas, bálsamo dos corações feridos, a outra forma da grande natureza, o mais possante pábulo do banquete da existência…

Macbeth

Ato II – Cena II: Macbeth

 

Sorte

A sorte só põe o que Deus dispõe.

Hamlet

Ato II – Cena II: Hamlet

 

Suborno

Não lucrarás por meio do suborn mais do que com a verdade.

Henrique VIII

Ato III – Cena II: Wolsey

 

Suicídio

Quem vinte anos tira da vida, encurta de igual tempo o medo de morrer.

Júlio César

Ato III – Cena I: Casca

 

É tolice viver quando a vida é um tormento: dispomos da prescrição de morrer, quando a morte é nosso médico.

Otelo

Ato I – Cena III: Rodrigo

 

Quem tem a possibilidade de morrer por suas próprias mãos, não tem medo de que os outros o matem.

Coriolano

Ato V – Cena II: Menênio

 

Suspeita

Quem encontrasse morta uma vitela, ainda a sangrar, e um carniceiro ao lado com um machado na mãe, não suspeitaria, com razão, ter sido ele o autor da morte?

Henrique VI – Parte 2

Ato III – Cena II: Warwick

 

Só medra a suspeita na tristeza.

Timão de Atenas

Ato IV – Cena III: Flávio

 

A suspeita muitas vezes dana mais do que a convicção.

Cimbelino

Ato I – Cena VI: Imogênia

 

Sutileza

As sutilezas dormem no ouvido dos parvos.

Hamlet

Ato IV – Cena II: Hamlet

 

Teimosia

Os teimosos aprendem com os incômodos que a si mesmos procuram.

Rei Lear

Ato II – Cena IV: Regane

 

Temperamento

O cérebro pode inventar leis para o sangue, mas os temperamentos ardentes saltam por cima de um decreto frio.

O mercador de Veneza

Ato I – Cena II: Pórcia

 

Tolice

Nos tolos a tolice é mais discreta do que no sábio que virou pateta.

Trabalhos de amor perdidos.

Ato V – Cena II: Maria

 

O arco do tolo dispara depressa.

Henrique V

Ato III – Cena VII: Orleans

 

É pena que os tolos não possam, com sabedoria, falar daquilo que os sábios fazem com tão grande tolice.

Como gostais

Ato I – Cena II: Toque

 

Trabalho

O trabalho agradável é remédio da canseira.

Macbeth

Ato II – Cena III: Macbeth

 

É estranho que, sem ser forçado, saia alguém em busca de trabalho.

Péricles

Ato III – Cena II: Primeiro gentil-homem

 

Trigo

Malhai primeiro o trigo e, depois, a palha às chamas entregai.

Tito Andronico

Ato II – Cena III: Demétrio

 

Tristeza

A essência da tristeza emite vinte sombras que com a tristeza se parecem, (…) porque os olhos do desgosto, cegados pelas lágrimas, dividem cada corpo em mil pedaços.

Ricardo II

Ato II – Cena II: Bushy

 

Os mortos têm direito a lamentações moderadas; a tristeza excessiva é inimiga da vida.

Bem está o que bem acaba

Ato I – Cena I: Lafeu

 

A tristeza maior cura a menor.

Cimbelino

Ato IV – Cena II: Belário

 

Trombeta

Hoje, quem não construir em vida sua própria sepultura, terá monumento tão durável como o soar dos sinos e as lágrimas da viúva. (…) Por isso, é mais prudente que o sábio (…) seja a trombeta de suas próprias qualidades.

Muito barulho por nada

Ato V – Cena II: Benedito

 

Ursa

Irás despertar a ursa, se bulires com os filhos dela.

Tito Andronico

Ato IV – Cena I: Tito

 

Uso

As mais belas joias, sem defeito, com o uso o encanto perdem.

A comédia dos erros

Ato II – Cena I: Adriana

 

Vaidade

Só é vaidade legítima a consciente.

Trabalhos de amor perdidos

Ato II – Cena I: Princesa

 

A vaidade falaz, corvo insaciável, após consumir tudo, se devora.

Ricardo II

Ato II – Cena I: Gaunt

 

Tem-se em tão alta conta o seu espírito que tudo mais para ele é sem valia.

Muito barulho por nada

Ato III – Cena I: Hero

 

Valor

Adeus, valor. Enferruja-te, espada. Cala-te, tambor.

Trabalhos de amor perdidos

 

Nunca damos o devido apreço a nada do que temos; mas, se acaso nos vem a faltar algo que tivemos, exageramos o valor e percebemos a virtude que nos fora ocultada pela posse.

Muito barulho por nada

Ato IV – Cena I: Monge

 

O verdadeiro valor não se revela em causa ruim.

Muito barulho por nada

Ato V – Cena I: Benedito

 

O valor só de aparências e o valor verdadeiro se separam nos furacões da sorte.

Troilo e Cressida

Ato I – Cena III: Nestor

 

Nenhuma ação em perspectiva deve ser elogiada no presente; não qualifiquemos o valor antes de seu nascimento.

Troilo e Cressida

Ato III – Cena II: Troilo

 

Vantagem

É mais vantagem fazer uso de armas partidas do que das mãos vazias

Otelo

Ato I – Cena III: Doge

 

Velhos

Nas pálpebras dos velhos o cuidado sempre se mostra vigilante; e onde esse soldade está de guarda, o sono não penetra.

Romeu e Julieta

Ato II – Cena III: Frei Lourenço

 

Veneno

Certos conceitos são por natureza verdadeiros venenos que, de início, não provocam nenhuma repugnância, mas logo que no sangue atuam, queimam como mina de enxofre.

Otelo

Ato III – Cena III: Iago

 

Trabalha, meu veneno! Trabalha!

Otelo

Ato IV – Cena I: Iago

 

Ventre

Não pode haver barreiras que a entrada a um ventre impeçam.

Conto do inverno

Ato I – Cena II: Leontes

 

Verdade

Da verdade só subsiste o mínimo necessário para assegurar a vida social.

Medida por medida

Ato III – Cena II: Duque

 

A verdade é um cachorro que se mete na casinha e precisa ser chicoteado para sair, enquanto a senhora galga pode ficar a feder junto ao fogo.

Rei Lear

Ato I – Cena IV: Bobo

 

Quem conta a verdade, embora a morte se ache no que disser, por mim é ouvido como se me adulasse.

Antônio e Cleópatra

Ato I – Cena II: Antônio

 

A verdade nunca perde em ser confirmada.

Péricles

Ato V – Cena I: Péricles

 

A verdade ama a linguagem rude.

Henrique VIII

Ato III – Cena I: Rainha Catarina

 

Verme

Pisado, o menor verme se revira.

Henrique VI – Parte 3

 

Ato II – Cena II: Clifford

Vertigem

Quem tem vertigens dez que o mundo roda.

A megera domada

Ato V – Cena II: Catarina

 

Viajante

Um viajante! Pois tendes razões de sobra para serdes triste, receio muito que houvésseis vendido vossas terras para ver a dos outros.

Como gostais

Ato IV – Cena I: Rosalinda

 

Os viajantes não mentem, muito embora na pátria os tolos os acoimem disso.

A tempestade

Ato III – Cena III: Antônio

 

Vício

Não há vício (…) que não possa revelar aparência de virtude.

O mercador de Veneza

Ato III – Cena II: Bassânio

 

Vida

A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre palhaço que por uma hora se empavona e se agita no palco, sem que depois seja ouvido; é uma história contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa.

Macbeth

Ato V – Cena V: Macbeth

 

Vida Social

O que na solidão toma incremento [como a tristeza] pode minguar na vida em sociedade.

Romeu e Julieta

Ato IV – Cena I: Páris

 

Vingança

A vingança o assassino não redime.

Timão de Atenas

Ato III – Cena V: Primeiro senador

 

Vinho

O bom vinho não necessita de rótulo.

Como gostais

Epílogo: Rosalinda

 

Ó, espírito invisível do vinho! Se ainda não és conhecido por nenhum nome, recebe o de demônio.

Otelo

Ato II – Cena III: Cássio

 

O bom vinho é um camarada bondoso e de confiança, quando tomado com sabedoria.

Otelo

Ato II – Cena III: Iago

 

Violência

Um cetro arrebatado com violência precisa ser mantido por processos iguais ao da conquista.

Rei João

Ato III – Cena IV: Pandolfo

 

Virgindade

Já é prodigalidade uma virgem revelar a beleza à própria lua.

Hamlet

Ato I – Cena III: Laertes

 

Não há medida política na república da natureza capaz de preservar a virgindade. Sua perda é de utilidade para a população (…). Tomar o partido da virgindade é acusar a própria mãe (…). A virgem é igual ao indivíduo que se enforca; a virgindade se suicida, e deveria ser enterrada nas estradas, longe dos lugares santificados, tal como se faz com os desesperados, que procedem contra a natureza. A virgindade procria gusanos, como o queijo, gasta-se até a casca e morre devorando o próprio estômago (…) A virgindade é como um velho cortesão de chapéu fora de moda e roupagem rica, mas caída em desuso, tal como se dá com os broches e paletós, que já tiveram sua época.

Bem está o que bem acaba

Ato I – Cena I: Parolles

 

Virtude

Embora admiradores da virtude, da disciplina moral, não devemos virar estoicos (…), nem ser devotos de Aristóteles ao ponde de renegar Ovídio como a réprobo.

A megera domada

Ato I – Cena I: Trânio

 

Imaginas que, por seres virtuoso, acabaram-se os bolos e a cerveja?

Noite de reis

Ato II – Cena III: Sir Tobias

 

Quando a virtude mora em lugar humilde, vê-se amiúde que ela deixa o lugar enobrecido. Mas onde falta, embora haja apelido da mais alta nobreza, a honra é vazia.

Bem está o que bem acaba

Ato II – Cena III: Rei

 

Não sabeis, meu senhor, que para certas pessoas as virtudes causam dano? (…) Que mundo este, onde as prendas do espírito envenenam seus próprios donos!

Como gostais

Ato II – Cena III: Adão

 

Nossas virtudes são julgadas pelo tempo. O mais notório sepulcro de um poder é a cátedra de onde é feito seu próprio panegírico.

Coriolano

Ato IV – Cena VII: Aufídio

 

A virtude nunca é expulsa da corte a chibatadas. Por lá tratam-na muito bem, com o fito de retê-la quanto possível; no entanto, está sempre de passagem.

Conto do inverno

Ato IV – Cena II: Bobo

 

Viver

Se viveres, vivo.

O mercador de Veneza

Ato III – Cena II: Pórcia

 

Vizinho

Não podemos medir nossos vizinhos pela nossa bitola.

Medida por medida

Ato II – Cena II: Isabela

 

Sobre a lagoa do vizinho também voam pássaros.

Cimbelino

Ato I – Cena IV: Iachimo

 

Vontade

Desvairada é a vontade que se inclina ante uma imagem que ela própria eleva.

Troilo e Cressida

Ato II – Cena II: Heitor

 

Nossos corpos são nossos jardins, cujos jardineiros são nossas vontades.

Otelo

Ato I – Cena III: Iago

 

Voz

A todos, teu ouvido; a voz, a poucos.

Hamlet

Ato I – Cena III: Polônio

 

Zanga

A zanga é um cavalo fogoso que, podendo seguir por onde queira, cansa-se do próprio fogo.

Henrique VIII

Ato I – Cena I: Norfolk

 

Zelo

Zelo demais transcende engenho e arte; querendo conquistar o que deseja, descura da porção mais benfazeja.

Trabalhos de amor perdidos

Ato I – Cena I: Biron

 

Nunca poderá ser ofensivo aquilo que a simplicidade e o zelo ditam.

Sonho de uma noite de verão

Ato V – Cena I: Teseu